Minha segunda-feira

Aqui na China já passa de 1h da manhã (de segunda para terça). Hoje tinha tudo para ser um dia mais ou menos (bem menos do que mais): precisava lavar roupa, colocar a leitura em dia e terminar de escrever um artigo que já deveria estar pronto.


Antes do almoço, uma professora chinesa que eu adoro me mandou uma mensagem dizendo que à tarde teria uma palestra de um jornalista da Xinhua (agência onde trabalhei) que morou muitos anos na América Latina. Ela disse que seria legal eu ir. Poderia ter ficado no quarto lendo e escrevendo? Poderia, claro, mas resolvi ir. Na aula de Relações China-América Latina vi meu amigo do México, que estava quase caindo de tanta gripe. Entreguei para ele uma bolachinha e um sachê de café para dar uma animada e ele ficou superfeliz (e eu também). Encontrei uma amiga brasileira que faz essa matéria e combinamos de tomar um café na quinta-feira. Conversei um pouco com a professora que eu adoro. O jornalista falou sobre os anos que morou no México, na Argentina e das viagens que fez pela região. Que delícia de palestra! Ainda bem que eu fui!


No final da tarde tinha um evento da embaixada para selar o acordo entre a UFRJ e uma universidade chinesa. Soube do evento domingo à tarde. Combinei de ir com a amiga alemã. Nos encontramos no metrô, nos perdemos no caminho e chegamos já na metade. Comemos bem, bebemos vinho gostoso e conhecemos pessoas interessantes. Conversei bastante tempo com o pró-reitor da UFRJ (eu o chamei de “vice-reitor” e ele me ensinou que “vice-reitor, na verdade, é chamado de “pró-reitor”. Aprendi mais uma), conversei com mais um monte de gente que nem lembro e... falei bastante tempo com o garçom da embaixada! Ele me disse que trabalha lá há mais de 20 anos. Já imaginaram isso? Que coisa fantástica! Falei um pouquinho com o embaixador, dei um fora fazendo uma pergunta inadequada e disse que queria entrevistá-lo para a minha pesquisa. No final, ficamos eu, a amiga alemã e um moço brasileiro descendente de chineses. Começamos a conversar e descobrimos que temos muitos conhecidos em comum! Fofocamos e demos muita risada. Que cara legal! Foi bem divertido. Ainda bem que eu fui!


No caminho de volta para a universidade, a amiga alemã perguntou se eu queria tomar uma cerveja. “Opa! Só se for agora!” Acabamos indo ao Modernista, um dos bares mais legais de Beijing. Fomos lá sábado, domingo e hoje, segunda. Estava tendo “Noite Latina” com música ao vivo! É um bar que vai muito estrangeiro, mas hoje tinha alguns chineses! Conhecemos uma chinesa superempolgada que ficou dançando com a gente. Dançamos, cantamos, causamos! Lá fora fazia alguns graus negativos, mas eu estava suando. Que delícia dançar salsa com música ao vivo. Dancei sozinha, com a minha amiga, com outras mulheres e homens. Ainda bem que eu fui!


 

Eu poderia ter ficado o dia inteiro enrolando no quarto. Duvido que o artigo estaria pronto. Ainda bem que eu saí de casa e fui viver. Que dia incrível!  



Escrito por Lúcia Anderson às 16h01
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A felicidade em um cubinho

Hoje conheci um brasileiro que estuda na universidade ao lado. Na verdade, a gente já se conhecia, mas hoje foi o primeiro dia que conversamos direito.

 

eu: então, me conta, de onde você é no Brasil?

ele: ah, você não vai conhecer. É uma cidade pequena.

eu: fala... às vezes eu conheço

ele: Avaré

eu: aaahhhh! A cidade do doce de leite! Claro que eu conheço

ele: peraí que eu tenho uma coisa para você


Ele coloca as mãos no bolso e me entrega um cubinho :)

Ganhar um docinho de leite no Brasil é gostoso. Mas ganhar um docinho de leite na China é... felicidade pura!

Quero mais, Cadu! 




Escrito por Lúcia Anderson às 04h19
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Hora do almoço na PKU

A Universidade de Pequim, conhecida como PKU (um dia vou escrever só sobre a universidade), tem mais de 30 mil alunos chineses e pouco mais de 2 mil alunos estrangeiros. Se contarmos professores chineses, professores visitantes, funcionários e participantes de congressos e afins, o campus recebe mais de 40 mil pessoas por dia.

Para atender todo esse mundo de gente há cerca de 10 cantinas de pequeno e médio porte. Imagina como os lugares ficam ao meio-dia quando as aulas terminam... Todo mundo morrendo de fome querendo almoçar. Muitas pessoas almoçam em pé ou apoiados em uma mureta dentro do restaurante. Quem consegue sentar come bem rápido para dar lugar aos outros. Normalmente, o almoço não dura mais do que 15 ou 20 minutos (sim, já observei isso).

Há diversas opções: comida chinesa de diversas regiões e até um restaurante ocidental. Os preços variam de 2 yuan (1 real) nas cantinas chinesas até... 30 ou 40 yuans (15 ou 20 reais) no restaurante ocidental. O prato mais barato normalmente é tomate com ovo e arroz branco (muito bom, gente! Um dia preciso escrever sobre esse prato!). O mais caro é camarão com legumes e arroz frito (muito bom também). 

Como no dormitório não tem cozinha (e nem geladeira) todo mundo acaba almoçando nos refeitórios.  

Almoço simples, mas gostoso. Tofu com legumes, acelga cozida (ou repolho?). Salada de repolho roxo e 木耳, um cogumelo preto que faz maravilhas para a pele (é o que dizem os chineses). Tudo por 8 yuan (4 reais)



O luxo: camarão com legumes e arroz frito. Custou 30 yuan (15 reais). Para os dias especiais ou para quando der vontade (como hoje)


Pessoas comendo em pé... tadinhas

Refeitório cheio, como sempre. Todo mundo com fome. Salve-se quem puder!


 



Escrito por Lúcia Anderson às 08h16
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É isso!

Sabe aquele momento em que você pensa: "É isso! É aqui, exatamente neste momento que eu gostaria de estar!" Acabei de ter esse sentimento! Bom demais!

Poucos minutos atrás participei de uma palestra com o Sr. Lan Hu (Tigre Azul. Sim, esse é o significado do nome dele), conselheiro de assuntos latino-americanos do Ministério de Relações Exteriores da China. Homem importante. Não adianta procurar o nome dele no Google e nem no Baidu. "Ele é muito importante. Você não vai encontrar absolutamente nada sobre ele na internet. Se ele fosse menos importante, poderia achar", explicou a colega do Peru.

Depois da palestra eu estava andando toda encapotada no frio de alguns graus negativos pela pequena trilha escondida que liga o Departamento de Relações Internacionais ao meu café preferido, o vento gelado bagunçando meu cabelo, eu (boba) sorrindo sozinha e pensando no artigo que deveria escrever neste momento (não para o blog. Um artigo científico). Sorrindo, feliz, pensando na oportunidade de aprender tanto. Sorrindo por ter entendido (pelo menos) um pouco do chinês diplomático e formal que foi falado. Sorrindo por ele ter entendido e respondido minha pergunta (!). Sorrindo por estar aqui. Neste momento exatamente onde estou.

O cara. Muito novo. Muito importante. 

 



Escrito por Lúcia Anderson às 05h31
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Conversas aleatórias com um taxista na madrugada de Beijing

Os taxistas chineses adoram escutar histórias de terror. Há diversas estações no rádio com os mais tenebrosos contos. Tem história de espírito, de bruxas e de outras coisas que meu chinês não permite entender. É uma maneira de mantê-los acordados já que é comum esses motoristas fazerem turnos de 24h (!). Eles alugam os carros por esse período e fazem somente breves intervalos. Haja chá verde para acordar. 

Agorinha há pouco, eu e uma amiga estávamos voltando para casa e dividimos o táxi. O taxista estava na estação de histórias de terror, mas o sinal estava muito ruim e só ouvíamos uma ou outra palavra intercaladas por aquele chiado chato. O som estava alto e incomodando...

- motorista, o senhor pode abaixar o som? Falamos com jeitinho

- humpft! Ele colocou no mínimo e olhou feio para nós

Passados alguns minutos, ele começa a resmungar. E eu:

- o que foi? O que o senhor tá resmungando?

- vocês não deixam eu ouvir a historinha de terror... ele fala cabisbaixo 

- eu já vou descer do táxi e aí o senhor escuta no último volume, tá?

- eu vou ouvir no último volume mesmo. Você vai ver! 



Escrito por Lúcia Anderson às 16h01
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Aniversário na China

Meu aniversário foi esta semana e a festinha foi ontem. Festinha não, festona! Eu convidei umas 30 pessoas, mas tinha muito mais gente do que isso. Foi muito especial porque tinha amigos antigos de quando morei aqui a primeira vez; amigas muito próximas, como o nosso trio russo-germano-brasileiro inseparável; amigos que fiz nos últimos três meses e até um casal de brasileiros que conheci horas antes!

Na verdade, tive três comemorações: no dia do aniversário na hora do almoço ganhei um bolo lindo (e gostoso!) do meu orientador e dos colegas chineses. Almocei bolo. Quer jeito melhor de começar os 34 anos? À noite, saí para jantar com as minhas queridas amigas da Alemanha e da Rússia. Ontem, comemoração com todos os amigos. Foi demais! Estou até agora empolgada com tudo que aconteceu. 

Fiz uma lista dos países de todo mundo que foi e olha só que coisa maravilhosa:

Alemanha

Brasil

Bolívia

Chile

China

Colômbia

Coreia do Sul

Eslováquia (!)

França

Holanda

Inglaterra

Itália

Libéria

México

Porto Rico

Rússia

Tajiquistão (JU-RO! Amigo de um amigo)


Já pensou uma mesma mesa com os moços da Libéria, Tajiquistão, Coreia e México? Foi isso que aconteceu. A italiana ficou conversando com a russa e com o chinês. O holandês e a francesa ficaram em um canto da mesa. A chilena ficou conversando com o colombiano e os mexicanos. Como tinha muito brasileiro, estávamos "infiltrados" em todas as conversas. Foi lindo!

Nos divertimos!


Quarteto fantástico!



Olha só os moços do Tajiquistão e da Libéria


Meu 弟弟 lindo!


O bolo que as amigas deram <3 Lindas!


O bolo do orientador, aka, meu almoço de aniversário


O bolo da comemoração com os amigos. Eu que escolhi de chocolate, claro!

 



Escrito por Lúcia Anderson às 11h07
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Aniversário na China

O aniversário já passou, mas a festinha vai ser hoje. Se alguém tiver em Beijing, pode ficar à vontade para dar uma passadinha!

A foto foi tirada pelo Cristovam Buarque <3 , mas eu que fiz a arte



Escrito por Lúcia Anderson às 00h59
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Na China tem liberdade?

Bom, ninguém quer comentar, então vou continuar meu monólogo... Fiquem à vontade quando quiserem falar alguma coisa, tá? O blog fica bem mais legal com a participação dos leitores. 

Hoje um amigo que está no Brasil me perguntou:


- Lulu, na China tem liberdade?


Olha... depende o que você chama de liberdade. Você não pode falar absolutamente tudo que quiser do PCC (Partido Comunista da China), dos governantes e das decisões que são tomadas. Tem que tomar um pouquinho de cuidado ao falar sobre temas polêmicos, como Taiwan, Hong Kong, Tibete... Sim, mesmo em rodas de amigos as pessoas são precavidas. Lembro de um jantar que participei com amigos e professores chineses. Eu era a única estrangeira e estava mais interessada em escutar do que falar. Uma jovem professora de chinês perguntou: "O que eu falo quando meus alunos perguntarem se Taiwan faz ou não parte da China?". A professora mais experiente orientou: "Olha, você pode falar que durante xx (não lembro quantos séculos) Taiwan sempre foi parte da China. Se há algum conflito há 60-70 anos isso não representa nada ao longo da história". Nisso, uma moça chinesa (que eu não conhecia) falou baixinho apontando para mim: "Ei, vocês esqueceram que tem uma estrangeira aqui?" A professora mais velha finalizou: "Isso não é problema. Só estamos falando a verdade". 

Voltando... liberdade para protestar, falar tudo que quiser para quem quiser... não tem. Facebook, google e youtube são bloqueados aqui na China. Não abrem. Eu preciso usar um VPN, um software que muda o IP do meu computador para outro país para conseguir entrar nesses sites. 

Agora, liberdade de ir e vir, andar à noite sozinha onde eu bem entender. Sim, toda liberdade do mundo. A China é muito mais segura do que países da Europa e Estados Unidos. Posso andar sozinha, à noite (meia-noite, uma, duas da manhã) sem medo NENHUM. Não é que eu ACHO que nada vai acontecer. Eu SEI que ninguém vai me matar, roubar, machucar, estuprar, fazer absolutamente nada comigo. Olha, se tem uma coisa que eu recomendo é andar de bicicleta de madrugada. As largas avenidas de Beijing vazias... o vento no rosto. Ah, isso vale tudo. 



Escrito por Lúcia Anderson às 12h21
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E os meus comentários?

Tem gente entrando aqui que eu sei! Entre 80-100 pessoas por dia (sim, tô de olho!). Ainda é pouco se compararmos com os tempos de glória do blog, quando mais de 500 pessoas entravam todos os dias (já chegou a 3000 visitas em um dia!). Mas logo chego lá! Não se preocupem que não dá para ver de onde vocês entram. Mas queria saber... quem são essas quase 100 pessoas que ainda visitam a página...? Deixe uma mensagem contando um pouquinho sobre você. E fique à vontade para dar sugestão de assunto.

O que vocês querem saber deste lado do mundo?

Beijings!



Escrito por Lúcia Anderson às 07h58
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Aula na China x Aula no Brasil

A maior diferença entre as aulas na China e no Brasil são os alunos. Na China, ninguém conversa nem participa da aula, raras vezes vi pessoas chegando atrasadas ou saindo para ir ao banheiro. Os professores até se esforçam: fazem perguntas, mas os alunos são tímidos e nunca falam. Eu, desinibida, falo e dou opinião até quando não pedem. Outra diferença grande é o tamanho das salas. Faço uma matéria que tem mais de 200 alunos (só eu de estrangeira!). As outras disciplinas têm entre 40-60 alunos. Só a "orientação de tese", com os orientandos do meu professor, que tem 12 ou 13 alunos. Mas, em geral, as turmas são bem grandes. Outra coisa interessante é que os alunos batem palma depois que a aula acaba (alguém faz isso no Brasil?).

Este semestre não tenho matérias obrigatórias, mas estou fazendo quatro como ouvinte:

* Introdução à Sociologia Chinesa - matéria muito legal com um professor incrível. Essa é a que tem mais de 200 alunos. A aula é descontraída e o professor coloca algumas palavras em inglês no powerpoint, o que me ajuda demais (se não, passo quase a aula inteira procurando palavras no dicionário)

* Sociologia das Organizações - matéria do meu orientador. Muito, muito difícil. Entendo pouco. Ele não usa powerpoint, escreve com caractere cursivo na lousa (sim, um dia eu explico) e a linguagem é bem técnica. Vou só porque sou persistente e teimosa, mas é muito difícil. Depois de 2h de aula fico acabada, exausta. 

* Relações China-América Latina - matéria de uma professora muito especial que conheci o ano passado no Brasil. Ela é demais! Só vou quando dá tempo... Uma ou duas vezes por mês. Ela fala bastante sobre a relação entre Brasil e China com relação a economia, diplomacia etc.

* Orientação de tese - matéria dos alunos do meu orientador. Cada um fala sobre sua dissertação ou tese e todos discutem. O nível dos alunos é alto e também acho muito difícil. 


É claro que a língua deixa tudo mais complicado, mas mesmo se essas matérias fossem em português eu teria dificuldade. Por ser da área de Letras, quase tudo que envolve sociologia é novidade para mim. Ah! Outro dia tive uma aula de sociologia da linguagem... que sonho! Muito interessante analisar a língua levando em consideração os falantes daquele idioma e a comunidade em que vivem. Se eu pudesse escolher o que fazer em meu tempo livre não teria dúvidas: aprender mais sobre sociologia da linguagem. 



Escrito por Lúcia Anderson às 09h32
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As mentiras que os estrangeiros contam

Caso 1

- Eu estudei menos de um ano

- Uau! Você fala e escreve bem assim tendo estudado menos de um ano?

- É! :)


Caso 2

- Estudei só uns meses, mas ia pouco à aula

- Nossa! E como é que você aprendeu a falar tão bem chinês?

- Ah... escutei na rua, por aí


Caso 3

- Estudar, estudar assim... eu nunca estudei. Só fiz 2 ou 3 aulas para aprender os tons

- Você fala e escreve mandarim sem nunca ter estudado?

- É!


Gente... não. Parem de mentir. Vamos abrir o jogo, vai... Não tem como aprender mandarim sem NUNCA ter estudado ou ter estudado pouco. Já conheci pessoas muito, muito inteligentes, brilhantes, mas que (como todos os mortais) tiveram que dedicar bastante tempo e esforço para aprender essa língua. Você pode até não ter ido a muitas aulas, mas... tinha uma namorada chinesa. Um dicionário ambulante que te explicava todos os caracteres que quisesse. Que, com muito amor, iria ensinar você a escrever. Aí sim, acredito. Você pode não ter ido a muitas aulas, mas morava com uma família chinesa. Sim, possível. Mas vamos parar de mentir dizendo que aprendemos a língua "de ouvido", "ao conversar com as pessoas na rua". Alguma língua latina, até vai. Mandarim não. 



Escrito por Lúcia Anderson às 15h38
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Roupinhas para o frio (ou: como eu tenho que me encapotar de coisa para conseguir sair de casa)

Com a chegada do frio tenho gastado muito tempo para me vestir. É preciso colocar camada em cima de camada. Adoro listas e estava pensando em tudo que tenho que vestir antes de sair de casa. 

Começando por baixo:


* bota até o joelho

* meia-calça térmica high-tech (que, teoricamente, protege do frio)

* 2 ou 3 meias (dependendo do frio e se cabe na bota)

* calça forrada com pelinho que esquenta

* camisetinha por baixo de tudo

* malha de manga longa

* casaco high-tech justo (que, teoricamente, protege do frio)

* casaco até o joelho com capuz (enorme, fico uma bola)

* luvas forradas

* cachecol


no dias mais gelados, acrescento:

* gorro de lá

* protetor de orelha (enorme também, mas necessário)

* + 1 cachecol

* + 1 luva (não dá para mexer a mão com duas luvas, mas fazer o quê...)

* máscara para proteger o rosto (uma ou duas, dependendo do frio)


Ufa! Uns 30 minutos depois eu estou pronta para sair de casa!



Escrito por Lúcia Anderson às 10h50
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Primeira neve do inverno!

Em frente ao prédio que eu moro


Tomara que o dono do carro não fique bravo...


Coisa linda!

 

Ventando bastante na minha uni



Amanhã: máxima de 1 grau negativo. Inverno está chegando




Escrito por Lúcia Anderson às 10h40
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eeeee... está nevando!

Vou lá fora brincar!

Tem gente que fica feliz com pouco. Que bom! 



Escrito por Lúcia Anderson às 23h10
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"Me dá um beijinho aqui?" - chineses safadíneos

É domingo e estou um pouco gripada. Está chovendo e fazendo 3 graus lá fora. Tinha previão de neve, mas só chuva por enquanto. Tenho um monte de coisa para ler. É o dia perfeito para ficar no quarto. Pedi comida japonesa pelo "Dianping", um aplicativo muito eficiente, em que há centenas de "catálogos" de restaurantes. Basta escolher, pagar e, em menos de 30 minutos, um motoqueiro traz o pedido na sua porta. Dá até para acompanhar o caminho que está sendo feito e saber se a comida está chegando. Tudo em chinês, mas bem fácil de usar. Não sei como eles conseguem fazer tão rápido. Enfim, acabei de receber a ligação do motoqueiro:

- oi, estou no elevador com seu pedido

- oi, tá bom, já estou aqui na porta

nos encontramos:

- foi você que pediu comida? Vejo a cara de espanto dele

- foi, ué. Estrangeiro não come não?

- é a primeira vez que eu entrego comida a um estrangeiro. Posso tirar uma foto com você?

- pode, vem cá

a primeira foto tiramos os dois sérios e na segunda passo o braço por cima dos ombros dele fazendo uma graça. Ele nem hesita e coloca a mão na bochecha:

- me dá um beijinho aqui?

dou uma gargalhada e atendo o pedido. Ela sai feliz com as três fotos.


Os chineses, publicamente, não são muito adeptos a contato físico. Aqui as pessoas não se cumprimentam nem com aperto de mão. Amigas próximas só dão "oi" com um sonoro "nihao". Nada de beijinho ou abraços. Mas, na intimidade... ou quando ninguém está vendo... é outra coisa. Chineses safadíneos! 



Escrito por Lúcia Anderson às 04h06
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Estudante é tudo igual: no Brasil ou na China

Todos os sábados pela manhã faço uma matéria que seria o equivalente a "orientação de tese" no Brasil: todos os alunos de mestrado e doutorado do meu orientador chinês se reúnem para discutir suas pesquisas e apresentar trabalhos sobre os livros que estão lendo. São uns 12 ou 13 alunos. O orientador, claro, orienta e todos discutem o que foi apresentado. Eu achei que seria somente ouvinte, mas umas duas semanas atrás tive que apresentar um trabalho sobre o FHC... em chinês. Não ficou brilhante, mas consegui. 

Bom, na aula de hoje um colega estava apresentando um trabalho sobre o último livro que leu, quando... o orientador sai da sala por alguns minutos. Uns olham para os outros e o aluno que estava apresentando desabafa: 

"Nossa, que pressão! Vocês não imaginam como eu estou nervoso. Ufa! Ainda bem que o professor saiu um pouco". Todos riem e se entendem. Aluno é tudo igual. 



Escrito por Lúcia Anderson às 03h14
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No elevador

Os chineses não gostam de conversar no elevador, mas eu não ligo: entro e cumprimento todo mundo. A maioria não responde. Devem pensar: "gringa estranha..." 

O lugar onde eu moro chama "地球村" ou "Vila Global" não por acaso: são 9 prédios de dormitório de estudantes e professores estrangeiros. No meu prédio, há ainda chineses com passaporte estrangeiro, mas a maioria não fala nem inglês. Os pais foram a outro país para tê-los e logo voltaram à China ou estavam morando em outro país por conta do trabalho e logo voltaram para cá. Passaporte estrangeiro vale ouro.

Voltando ao elevador... sempre tento conversar um pouquinho com quem entra no elevador comigo. Acabei de conhecer duas meninas: uma do Turcomenistão e outra das Maldivas. Acho que nunca tinha conhecido pessoas desses dois país. Realmente uma vila global. Pena que só deu tempo de perguntar de onde elas eram e o que faziam aqui. Queria saber sobre a língua, comida, cultura dos países. Espero encontrá-las novamente. 



Escrito por Lúcia Anderson às 03h06
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"Elas deixaram os maridos no Brasil?!?" - a visão machista de muitos brasileiros

Estava conversando com uma pessoa (vamos deixar o sexo indefinido) e falando sobre as minhas duas queridas amigas - a russa e a alemã - ambas casadas com brasileiros e morando sozinhas na China. A pessoa perguntou: "Mas elas deixaram os maridos no Brasil?!?! Como assim?"

Cara pessoa, você pode não entender, mas tem muito homem que ama, admira e (surpresa!) apoia as decisões de suas esposas e namoradas. Não são só elas que fazem isso. Os homens também podem fazer. Já estamos em 2016 (não 1906!). Talvez seja difícil para você, uma pessoa machista e e com pensamento antiquado, entender isso. Mas isso se chama amor. Um apoia o outro. 

Uma amiga veio para ficar três meses e o marido dela veio aqui visitá-la. Olha que coisa mais difícil para você entender: ela é casada, veio para a China trabalhar por três meses e o marido veio aqui visitá-la. Sim, tem gente assim no mundo (ainda bem!). A outra amiga veio para trabalhar UM ANO e (pasme!) o marido a apoiou e também vem visitá-la. É preciso atualizar essa visão machista de que só as mulheres podem esperar os homens. O contrário também acontece. Viu, só! 


 



Escrito por Lúcia Anderson às 02h09
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Pessoas, coisas, lugares, músicas que inspiram

Eu não queria ir. A semana tinha sido difícil e não tinha conseguido fazer nem metade do que precisava. O artigo encomendando pelo orientador chinês não tinha nem sido começado. O sono estava atrasado. Iria usar o final de semana para ler, pesquisar e colocar a vida em dia. "O Cristovam é uma pessoa incrível!", insistia a amiga russa. Sim, ele é político, tem experiência. Claro que deve ser uma pessoa incrível, carismática. Até aí, sem novidades. Eu já tinha ido para a Muralha diversas vezes. Cansa. Viagem de 2h saindo de Beijing (se o trânsito estiver bom), dia inteiro subindo e descendo escadas. Tem que estar bem disposto.

Acordei sábado às 6h30. Tinha que estar no hotel antes das 9h. Era longe. Iríamos sair de lá pontualmente. Nosso trio - uma russa, uma alemã e uma campineira - chegou no horário combinado. Lá nos encontrou um professor brasileiro de uma universidade do sul da China: "O Cristovam já está descendo". Depois de alguns minutos uns 3 homens aparecem andando com porte de gente importante ao redor de um senhor todo vestido de preto. Ele vê as minhas amigas e abre um sorriso. Ele as conhecera no dia anterior. Nos cumprimenta muito alegremente e diz: "Você que é a Lúcia?". Como é que ele sabe meu nome...? "Sim, sou eu. Muito prazer, senador". "Senador não... aqui todo mundo o chama somente de Cristovam", explica o professor brasileiro.

Saímos do hotel e o professor já tinha tudo organizado: "Eu vou atrás com a Alina, a Alena senta aqui entre o vice-cônsul e o Eduardo, a Lúcia vai na frente com o Cristovam". Que sorte! Vamos conversando todo o trajeto. Duas pessoas se conhecendo, se descobrindo. Conversamos sobre o Brasil, a China, os caracteres chineses (eu adoro falar sobre China, caracteres e ele estava gostando muito de escutar. Foi uma combinação perfeita), falamos sobre economia, a desigualdade social nos dois países, os lugares que ele morou (até em Honduras!), o que eu estou pesquisando, a gastronomia daqui e muitas outras coisas. Uma conversa natural, gostosa. Parece que a viagem até a Muralha durou cinco minutos! "Nossa! Já chegou! Nem vi o tempo passar". Apesar da diferença de 38 anos que nos separa, senti uma conexão muito forte, como nunca tinha sentido antes com mais ninguém. Tenho conhecido tanta gente... tanta gente que não quer conversar, só falar, falar, falar que quando aparece uma pessoa disposta a dialogar, escutar, dar opiniões inteligentes e sem preconceitos é fácil ficar deslumbrada. Ainda mais se essa pessoa for muitíssimo culta e, (pasmem!), muitíssimo humilde. Difícil encontrar gente assim. Tenho conhecido muita gente inteligente também: moço com doutorado em Harvard, outro com mestrado na Universidade de Oxford. Pena que quase sempre essa inteligência vem junto com uma arrogância difícil de engolir. 

Cristovam e eu andamos pela Muralha, tiramos muitas fotos, fizemos piquenique e descemos a montanha de tobogã. Que dia maravilhoso, inesquecível! Como passou rápido... Que bom que eu fui. Não terminei o artigo que o orientador pediu, mas isso pode esperar. As memórias desse dia lindo com minhas queridas amigas russa e alemã e com o querido Cristovam Buarque vão ficar para sempre na minha memória. Que homem incrível!



 



Escrito por Lúcia Anderson às 02h01
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Privacidade: uma palavra que não existe na China

- colega, colega! Grita a faxineira do andar

- ah...? Acordo assustada. É cedo e eu não estava esperando visita

- colega, colega! Abra a porta! Diz ela, tentando entrar pela força

- espera um pouco, já vou! Grito energicamente

- colega! Ela abre a porta sem esperar os 2 segundos que eu levaria até a entrada


eu não precisei nem convidar e em instantes cinco pessoas entram no minúsculo quarto do dormitório da universidade. Nem sabia que cabia tanta gente. 


- viemos detetizar o quarto, ela explica, meio sem jeito ao ver que eu não estava em trajes de receber visitas

- fiquem à vontad... falo meio irônica, mas não consigo nem terminar e as pessoas saem. Aparentemente já com o quarto detetizado. 


Situações como essa acontecem com frequência. A noção de intimidade e privacidade na China é muito diferente da do Brasil. Aqui, o dono do apartamento pode entrar no seu imóvel quando quiser, mesmo que ele esteja alugado por outras pessoas. As faxineiras do dormitório entram e fazem o que quiserem nos quartos. A única opção é se adaptar e aceitar. 


 



Escrito por Lúcia Anderson às 23h51
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Meu perfil
Lúcia A., formada em Letras, especialista em Comunicação e escritora!

Foi trabalhar em Beijing, na China, e não sabe quando (e se!) volta ao Brasil. Escreve sobre suas descobertas, aventuras e outras coisinhas mais neste espaço.

e-mail: lunachina@uol.com.br

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