Aleluia - consegui acessar o blog

Conselho: nunca, nunca, nuuuuuncaaaaa façam um blog do UOL e esqueçam a senha. Transtorno sem tamanho. Parecia que eu estava tentando invadir o email do Xi Jinping. 

Eu tinha esquecido, mas acabaram de me lembrar: hoje faço um mês na China. Viva! 



Escrito por Lúcia Anderson às 16h21
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O começo de uma nova vida (muito melhor!)

Jovens perdidos olhando o mapa, olhando o céu quase como que pedindo uma ajuda divina para encontrar seu dormitório. Pais orgulhosos carregados de mala, roupa de cama, com sacolas penduradas por todo o corpo acompanhando a filha. Avós lavando a roupa de cama (já limpa) para que seus netos tivessem o ambiente mais agradável possível nos próximos anos de estudo. Mães e pais limpando os vidros do quarto, a varanda e cada cantinho do futuro dormitório de seus filhos. Um pai carregando com amor e cuidado um vaso de plantas para enfeitar a mesa de sua filha. Gente, muita, muita gente. Muita gente. Estamos na China. É assim em quase todos os lugares e, no dia de inscrição de novos alunos, não foi diferente.


Uma universidade vibrante e pronta para acolher todos que se sacrificaram para conseguir seu lugar lá dentro. O 高考 (gaokao), exame de entrada para entrada na universidade (como o vestibular) deste ano teve quase 10 milhões de inscritos. A pressão para os chineses é enorme e eles se prepararam uma vida inteira para consegui entrar em uma boa universidade. Estudam muito intensamente desde o ensino fundamental.


A minha orientadora do mestrado explicou que a filha dela (12 anos na época) começou a morar no dormitório da escola para não perder tempo com o transporte entre sua casa e o local de estudo. Uma vez por semana (somente aos domingos à tarde) ela voltava para casa de sua família para descansar. As atividades na escolha incluíam aulas regulares, aulas de reforço, atividades física e plantão de dúvidas. Todos os dias (de segunda a sábado) das 8h às 18h. Depois das aulas ela estudava sozinha. E, domingo à tarde, quando ia visitar a família, minha orientadora também a fazia estudar metade do tempo em que estava “descansando”. “Se ela não fizer isso, vai ficar para trás. As amigas dela estão fazendo a mesma coisa”, sempre me dizia.


Assim é a China: um país onde os pais e avós fazem absolutamente tudo para que seus filhos e netos sejam bons alunos e consigam entrar em uma boa universidade. Eles se preocupam desde com o que os jovens vão comer (há alimentos que estimulam o cérebro, que dão mais energia), até encontrar os melhores professores particulares, mesmo que isso possa custar as economias de uma vida inteira. A entrada em uma boa universidade garante bom emprego, bom salário e, assim, aposentadoria garantida para os pais e avós. É um ciclo muito bem articulado e que funciona.


 

E, assim começou um novo semestre na Universidade de Peking, onde vou estudar nos próximos semestres. Nos próximos posts foi falar mais sobre essa tradicional e conhecida universidade chinesa, que tem pouco mais de 30 mil estudantes e muita história.  

 

Roupas de cama lavadas com amor pelos pais (bem diferente daquelas que são lavadas pelo pessoal da uni)


Pôr do Sol de boas-vindas... não é assim todo dia não!


A vista do meu quarto. Gostei!


Uni linda!


Linda, linda!




Escrito por Lúcia Anderson às 01h46
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Você gosta de comer bem?

Então precisa ir a China! Não existe lugar melhor para se comer bem. 

"Ah, mas eu não gosto de comida chinesa", pode pensar alguém.

Você não gosta porque não conhece. Esses fast-foods chineses (horríveis!) que temos no Brasil são uma ofensa a culinária chinesa!

A gastronomia de lá é requintada e tem para todos os gostos: para quem gosta de comida leve e fresca (na província de Yunnan), para quem gosta de pratos agridoces e exóticos (em Guandong), quem gosta de todos os tipos de pimenta (em Sichuan), de muita carne (no Nordeste) e por aí vai... Em grandes cidades é possível encontrar todos esses tipos de cozinha e se deliciar. Eu não como carne e na China encontro uma variedade de legumes e verduras muito gostosos, além de tofu. Não, não é como o tofu encontrado no Brasil (eca!). Na China há tofu defumado, frito, quente, frio, em sopas... nham! Tem um tipo que parece um nhoque frito: uma bolinha levemente crocante por fora e macio por dentro. É bem leve e saudável. Adoro!

Selecionei algumas fotos das delícias que experimentei na última viagem em julho.

Olha o capricho do lugar


A mesa posta: copo para suco, taça para vinho, jarrinha para baijiu (a cachaça - fortíssima - chinesa), tacinha para baijiu, colher e palitinhos




Detalhe da jarrinha e tacinha para baijiu



Uma escultura feita com diversos tipos de cenoura (eu nunca vi esse legume cor de rosa, mas o "escultor" disse que era um tipo de cenoura. Será que eu entendi corretamente?)



Acha que sabe cozinhar...



Bola de gergelim crocante. Ninguém quis "estragar" e eu tive que começar



Um pato laqueado diferente e divino. Pato laqueado é gostoso até para quem não gosta de carne. Vai por mim!


 



Escrito por Lúcia Anderson às 23h26
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Mais fotos! Eeee

Hongcun: como pode ser tão lindo o lugar? Na província de Anhui. Quero voltar!

Uma vilazinha parada no tempo: para gringo ver. As grandes cidades não são assim, viu, gente!

Com alguém importante


Essa bandeira me acompanha em todos os lugares. No alto da Huangshan, montanha amarela


 



Escrito por Lúcia Anderson às 23h15
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Fotos e volta no final de agosto

Pessoal,

volto para a China no final de agosto. Até lá os posts vão ser escassos. Vou tentar colocar algumas fotos de vez em quando. 

As flores de lótus enfeitam os jardins chineses no verão

Sabia que os chineses acham "estrangeiro tudo igual"? Perguntaram se éramos irmãs. JU-RO!



Essa é uma pequena vila chama Hongcun, na província de Anhui. Lugar lindinho e imperdível a visita


 



Escrito por Lúcia Anderson às 21h00
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Viagem de Beijing para Anhui

Este post foi escrito quando eu estava indo para a província de Anhui, onde fica a (linda, espetacular!) 黄山,montanha amarela. A ida de trem levou mais de 7h e foi difícil. A volta foi bem mais tranquila :)


Agora estou no trem indo para a província de Anhui, uma das mais pobres da China. Vou para uma pequena cidade que fica ao lado da famosa montanha amarela, 黄山, que sempre quis conhecer. Ao meu lado estão sentadas uma senhora e sua neta, que acabou de comer três pés de frango apimentados em conserva. O cheiro de sebo predomina no ambiente. A menina limpou as mãos engorduradas no vidro e o odor nojento (ainda mais para quem não come frango) só vai passar com uma boa limpeza. A senhora tem as mãos deformadas e eu fiquei imaginado o quanto sua vida deve ter sido dura. Deve ter trabalhado muitos anos no campo com enxada. A neta, entre seis e oito anos, está exausta: tenta dormir, mas leva um tapa na cara cada vez que fecha os olhinhos. Elas falam um dialeto que eu não consigo entender. A senhora grita ao falar qualquer coisa para a neta. Grita ao atender o telefone, que não para de tocar. Meus colegas vieram aqui para ver o que estava acontecendo e acharam graça quando viram que eu estava sentada ao lado da pessoa mais barulhenta do vagão.

 

Tentei dormir diversas vezes para que a viagem de sete horas passasse mais rapidamente, mas o barulho é perturbador: além da senhora barulhenta, as pessoas gritam para conversar uma com as outras. Vendedoras de comida pronta e sorvete passam a cada 30 segundos falando alto: “米饭套餐有需要吗?” (Tem alguém que quer comida pronta?). Não, ninguém quer. As pessoas só querem dormir e descansar.

 

 

Apesar de quase todos os 30 estrangeiros do grupo já terem morado na China um tempo, é visível o cansaço e a irritação de todos. Ontem estava conversando com amigos brasileiros que moram aqui há muito tempo e é consenso: morar na China não é para qualquer um. É preciso atingir um nível quase transcendental de adaptação, flexibilidade, respeito e paciência com a cultura alheia. Depois de ficar um tempo aqui, tudo fica mais fácil em qualquer lugar do mundo. Depois de morar cinco anos na China, morar alguns meses em Paris e Miami foi muito fácil. Tão fácil e simples que quase ficou sem graça. Aqui, todos os dias descobrimos coisas novas. Todo dia acontece alguma coisa estranha, bizarra, que só quem mora aqui vai entender. Quem não mora, vai achar que você está inventando ou exagerando. Aqui, cada dia vivido é uma emoção, quase uma conquista. Ufa! Sobrevivi mais esse dia. Consegui me comunicar. Aprendi palavras novas. Entendi um pouquinho mais sobre o país e as pessoas. Não matei ninguém. Não morri com intoxicação alimentar, nem atropelada, nem de raiva. Amanhã vai ser mais fácil.  



Escrito por Lúcia Anderson às 15h51
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Insone

Três da manhã. Mais parece horário para ir dormir do que para acordar. A noite anterior foi tranquila. Exausta depois de quase 40h de viagem, sendo 23h dentro do avião, consegui dormir oito horas, mesmo com o fuso horário trocado. Fiquei feliz: pensei que meu corpo finalmente tivesse se adaptado às viagens. “Sou mais forte do que pensava”, falei baixinho.


Hoje, destruída, acordo às 3h da manhã. Coloco um app de meditação, que não adianta nada. Nunca adiantou. Vou apagar do celular. Procuro no youtube: “música para relaxamento”, “música para dormir profundamente”, “música com ondas delta (?!) para relaxar e encontrar paz interior”, “música para dormir em 5 min”. Depois de duas horas escutando notas de piano, som de chuva e de passarinho, desisto. Não consegui relaxar e nem encontrar minha paz interior, que parece cada vez mais distante.


Coloco as mensagens do grupo de “Jovens Sinologistas” no wechat em dia. Mais de 100 mensagens para ler. As pessoas mostrando fotos de seus países. Prato generoso de almôndegas e batata frita do moço da Bélgica, lindo Pôr do Sol do italiano desastrado e bonitas praias no Sri Lanka de uma moça, bem... do Sri Lanka.


Meu coração ainda está na China. Tenho saudades. Apesar das aulas e da rotina extremamente intensa, foram três semanas incríveis. Conheci pessoas que não podia imaginar existir. Pessoas que gostam tanto de um lugar como eu! Pessoas parecidas comigo e que me entendem. Sim, apesar dos pesares, dos lugares lotados, dos banheiros sujos, do barulho e da poluição não há lugar mais lindo e encantador do que o gigante vermelho.


 

Quando eu me perdi pelas hutongs em Houhai e quando andei de barco no parque do bambu roxo... era ali que eu queria estar. Quando eu vi os bebês gordinhos sorrindo para mim... era ali que eu queria estar. Quando vi senhoras dançando com seus leques vermelhos nas praças... Ali que eu queria ficar para o resto dos meus dias. Ali minha vida fez sentido. Ali encontrei minha paz interior.  



Escrito por Lúcia Anderson às 05h24
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Conheça alguém diferente

Este texto foi adaptado do original publicado em: www.facesfemininas.com

Quer coisa melhor do que conhecer alguém diferente com um interesse em comum? Conversar, trocar ideias e aprender com alguém de outra parte do mundo?

Vim para a China participar de um programa do governo chinês chamado “Jovens Sinologistas”. São 20 dias de aulas (muitas, muitas aulas), passeios e viagens. Foram convidados 30 participantes (nem todos jovens…) de diversas partes do mundo e só eu do Brasil. Está sendo uma experiência incrível. Além das aulas e das conversas com professores das melhores universidades da China, a convivência com pessoas do mundo inteiro com um interesse em comum – China – está sendo fantástica.

Já no primeiro almoço de boas-vindas (uma banquete, como só os chineses sabem oferecer), entendi bem o sacrifício de fazer jejum durante o Ramadã, os quarenta dias em que muçulmanos não comem nada (e nem bebem água) do nascer ao pôr do Sol. O colega da Nigéria, muçulmano, sentou ao meu lado e não comeu absolutamente nada. Ele me explicou que um dos objetivos do jejum durante o Ramadã é para que pessoas comuns possam entender o que os pobres passam muitos dias: fome. Além disso, serve para que os fiéis entendam o real sentido de fazer esforço e se privar do que querem e/ou precisam.

Pude ver a dor nos olhos da francesa, famosa tradutora em seu país, vendo pela primeira vez notícias sobre o atentado terrorista em Nice. Fiquei admirada ao conversar com o belga de menos de 30 anos responsável por uma organização que cuida das relações entre a União Europeia e a China. Fiz amizade com uma moça bielorrussa, professora de língua chinesa na principal universidade em seu país, que adora o Brasil e fala um pouquinho de português (além de seis outras línguas!). Eu me diverti com o italiano, renomado crítico de arte asiática, com mais de 2 metros de altura que não tinha noção do seu tamanho e esbarrava em tudo e todos. 

Conversei muito com a búlgara, também professora universitária, sobre diferenças culturais e sobre o casamento dela com um alemão. Discuti de levinho com os indianos que insistiam que eu deveria sair do elevador antes deles e furar fila por ser mulher. Fui ao supermercado e andei horas com o moço da África do Sul, que acabou de terminar doutorado em sociologia chinesa (como eu!), e fiquei conversando sobre a vida. Fiz um acordo de só conversar em chinês com o nigeriano, apesar de inglês ser mais fácil para nós dois. Aprendi bastante com a holandesa, famosa escritora de cultura chinesa. Tirei centenas de fotos com a moça do Egito e a vietnamita, ambas professoras universitárias (e feministas, apesar de viverem em um país opressor como o nosso), que queriam registrar cada instante.

Conhecer gente do mundo inteiro que é referência em estudo da China mostrou que eu estou no caminho certo e que há muita gente interessante que compartilha meu amor por este país. 我爱中国!Conheça alguém diferente com um interesse em comum. Assunto não vai faltar! 



Escrito por Lúcia Anderson às 11h49
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Reportagens sobre o programa "Jovens Sinologistas"

Minha história sobre a China

http://www.chinadaily.com.cn/culture/2016-07/14/content_26085908.htm


Reportagem em chinês

http://news.lichuangcheng.com/mr1x60722n460553210t.html


Videozinho na CCTV, a "Globo" da China. Tem um pedacinho da minha apresentação

http://english.cctv.com/2016/07/08/VIDEbZJP3yHQldwZzSKayPXl160708.shtml


Em chinês, mas tem bastante foto

http://collection.sina.com.cn/yjjj/2016-07-22/doc-ifxuhukz0837624.shtml


Em inglês, mas não consegui ver as fotos:

http://english.eastday.com/auto/n917362/u1ai8553684.html


Mais um vídeo, no canal local de Beijing

http://www.iqiyi.com/v_19rrmfx5k4.html


Mais um!

http://en.chinaculture.org/2016sinologist.htm

 



Escrito por Lúcia Anderson às 11h29
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A lojinha sem vendedor

Aqui no hotel em que estou tem uma lojinha que vende água, chocolate, chá e itens de higiene pessoal.

Todo dia compro água e, hoje, quando cheguei lá não tinha ninguém. Fiquei esperando e nada. O porteiro do hotel viu que eu entrei, disse que poderia pegar o que quisesse e que era só deixar o dinheiro em cima do balcão (tudo tinha etiqueta com preço). 

Peguei duas garrafas de água e deixei os 6 yuans em cima do balcão. Pude ver que na mesa do outro lado do balcão tinha um monte de dinheiro amontoado de outras pessoas que fizeram a mesma coisa que eu. Ninguém para fiscalizar, nada.

Será que isso funcionaria no Brasil...?



Escrito por Lúcia Anderson às 09h40
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A China é para os fortes

Não tenho dúvidas: a China é para os fortes. Viver aqui não é fácil como morar nos EUA ou na Europa. É claro que tem suas vantagens, senão ninguém viria e nem ficaria no país, mas... 

* a língua é difícil. Em alguns meses dá para aprender a pedir comida sem pimenta e perguntar onde é o banheiro ou quanto custa alguma coisa. Entretanto, para se comunicar adequadamente, escrever textos formais e ler é preciso muita dedicação e estudo. 

* entrar e sair do metrô, do elevador e atravessar a rua é uma emoção. É muita gente. É preciso olhar para frente, para os lados e atrás de você para ver se não vem uma bicicleta, moto ou carro em alta velocidade pouco disposto a brecar. Já "salvei a vida" de vários amigos diversas vezes puxando-os para trás quando um veículo em alta velocidade se aproximava. Salve-se quem puder.

* a poluição pode atrapalhar a sua vida. Não, não é como São Paulo. Não, não dá para comparar. Às vezes, a visibilidade é de poucos metros. Respirar torna-se difícil. Só muito amor para aguentar.

* muitas burocracias. O Brasil também tem muitas burocracias, mas aqui é difícil tirar visto, estrangeiro precisa se registrar na polícia e por aí vai... Não é qualquer um que aguenta. 


Novamente: há vantagens enormes em morar aqui. Para mim, a segurança é a principal. Andar sozinha à noite tendo a certeza que vou chegar bem em casa compensa quase tudo. Chinês é uma língua difícil, mas muito interessante. Quanto mais se estuda, mais dá vontade de estudar (é sério!). Em um próximo post falo das vantagens, mas, definitivamente: a China é para os fortes!



Escrito por Lúcia Anderson às 13h39
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Eu tinha esquecido como...

* a comida chinesa é tão gostosa

* todos os lugares são lotados. TO-DOS. 

* a massagem daqui faz milagres e cura (quase) tudo

* as pessoas bebem água quente até no verão de 40 graus

* em alguns lugares é preciso pagar antes da comida chegar

* tenho amigos queridos aqui mesmo depois de tanto tempo fora

* essa cidade é cheia de contrastes - amor e ódio

* os parques chineses ficam cheios de flores de lótus e pessoas dançando no verão 

* os bebês chineses continuam lindos e gordinhos

* explorar e se perder nas hutongs (vielas antigas) é muito legal

* é preciso paciência para negociar quase tudo que se quer comprar

* a China é para os fortes (quer saber mais? Veja o post de amanhã!)



Escrito por Lúcia Anderson às 10h05
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Lu na China: o retorno

Você sai de Beijing, mas Beijing não sai de você. Eu já escutei essa frase em algum lugar e concordo plenamente. Nesses quatro anos longe da capital chinesa não houve um único dia em que eu não pensasse em voltar.


Desde que fui embora, no final de julho de 2012, algumas coisas aconteceram: passei alguns meses viajando pela Ásia, morei outros meses em Paris, comecei a estudar francês (e não aprendi nada), trabalhei bastante, morei um tempo em Miami a trabalho e, em 2015, comecei doutorado em relações China-Brasil. Estudei muito, muito, muito e consegui fazer todas as matérias em um só ano. Assim, teria três anos para me dedicar a uma tese maravilhosa e terminar o curso. Esse era o plano. Só que... apareceu uma oportunidade para voltar à China para estudar. Se tudo der certo, em setembro volto para Beijing por um ano.


Agora, estou na China participando de um evento chamado “Programa para Jovens Sinologistas”: são 30 pessoas de todas as partes do mundo (só eu do Brasil, mas tem gente da Itália, França, Paquistão, Bielorrússia, Tailândia, Vietnã e por aí vai) que foram escolhidas para ter aulas sobre língua, cultura e história chinesa. Vamos ficar por aqui durante 20 dias imersos na cultura chinesa. Está sendo fantástico, mas bem puxado.


Espero escrever diariamente sobre como estão as coisas aqui do outro lado do mundo e das expectativas de voltar para a cidade mais linda, interessante e contraditória do mundo! Vamos comigo?

 

 



Escrito por Lúcia Anderson às 06h53
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alguém ainda entra aqui?

Hoje está em 587.863 visitas.

Só curiosidade... quem ainda entra aqui? Deixe seu comentário. 


 



Escrito por Lúcia Anderson às 04h26
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Despedida

Pessoal,

chegou a hora de dizer adeus. Já faz mais de seis meses que eu fui embora de Beijing e não faz sentido continuar escrevendo sobre a China.

A viagem para a China, o blog e vocês, leitores, foram as melhores coisas que aconteceram na minha vida. Nos cinco anos de escrita conheci muita gente interessante e fiz ótimos amigos. Só falta decidir o próximo passo: trabalhar bastante em algum canto do mundo, estabelecer a minha vida em Campinas (São Paulo ou Rio), sair pelo mundo viajando sem rumo ou casar e ter bebês gordinhos... vai saber...

Agora estou viajando pela Ásia, em breve volto a Paris e depois ao Brasll. Nesses últimos dois meses fui para lugares lindos, comi coisas que nem imaginava e fiz (muitos) bons amigos. Adorei o Laos, passei uns apertos no Mianmar, senti o coração bater forte em Cingapura (como eu gostei dessa cidade!), fiquei encantada com a beleza das ilhas Gili, na Indonésia, comi muito bem em Taiwan, revi ótimas amigas na Tailândia e, finalmente, estou pronta para outra aventura. Vou colocar algumas fotos da viagem na página do blog no facebook: www.facebook.com/lulunachina

Se alguém quiser entrar em contato comigo pode me escrever em bloglunachina@gmail.com

Este blog existiu por mais de cinco anos (e com mais de 550 mil visitas!) somente por causa de vocês. Muito obrigada, leitores. 



Escrito por Lúcia Anderson às 16h08
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Estou arrasando o coração dos homens franceses...

... com mais de 80 anos.

Para quem não acredita... eu tenho testemunha!

Tudo começou em uma das minhas primeiras semanas em Paris. Eu estava andando pela manhã quando parei na calçada para atravessar a rua e um senhor (sim, com mais de 80 anos) usando sua bengala (sim, uma bengala!) me disse "bonjour" e perguntou para onde eu estava indo. Fiquei surpresa e dei risada da audácia dele. Para quê... o velhinho começou a me seguir! Ele disse mais algumas frases que eu não entendi e respondi que não falava francês. Ele falou em inglês se eu aceitaria tomar um café com ele (?!?!?!). Saí correndo. E nesses meses de França vários senhores (velhinhos mesmo) me deram "bonjour" na rua. Mas nas outras vezes fingi que não tinha escutado e saí de perto.

E, ontem, fui com uma amiga no Museu D'Orsay e um senhor, muito gentilmente, segurou a porta para nós passarmos. Quando eu passei ele veio atrás de mim e disse: "Vous êtes très très très belle". A amiga começou a rir e completou:

- Lúcia, você viu que ele também piscou para você?

- Pois é...



Escrito por Lúcia Anderson às 22h10
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Os extremos: etiqueta na China e na França

Bom, antes de começar o post, vejamos o significado de "etiqueta", segundo o Houaiss: 

"conjunto de regras de conduta, esp. as de tratamento, seguidas em ocasiões ger. formais, e que revelam sobretudo a importância social das pessoas envolvidas". 

Ótimo. Pois neste post eu vou falar de etiqueta e não de educação. Afinal, o que é educado em um lugar pode ser falta de educação em outro. E vice-versa.

Na China, uma das coisas mais complicadas foi acostumar com a etiqueta do país. Recebeu um presente de uma amiga chinesa? Nem pense em agradecer! Que falta de respeito desses ocidentais! Onde já se viu agradecer o presente de um amigo? Só se deve agradecer presentes recebidos de estranhos. Parece até que está rebaixando o amigo... que insulto. O mesmo serve se algum amigo chinês fizer um grande favor para você. Nem pense em agradecer. Você vai ouvir um sermão. 

Entrou na loja e cumprimentou a vendedora chinesa? Chega de ladainha que ninguém tem tempo a perder. Se não for comprar nada pode ir saindo que tem gente querendo entrar. Na China é assim: tudo prático, sem as regras de etiqueta que temos no ocidente. Não se agradece presentes e nem favores, não se cumprimenta a vendedora em lojas e nem o garçom em restaurantes. As pessoas vão direto ao ponto e falam o que querem, sem melindres. Economiza-se tempo. A comida estava boa? Coma com prazer, faça barulho ao mastigar para mostrar que está gostando, e não se sinta acanhado se quiser dar um arrotinho para deixar bem claro que está satisfeito. 

Na França é totalmente o oposto: ao entrar em uma loja ou café é OBRIGATÓRIO dar bom-dia a quem vai te servir, falar por favor no final da frase, e já emendar um "merci". A vendedora ou o garçom vai fazer o mesmo: bom-dia, por favor e merci para o freguês. Eu arrisco dizer que se você não der bom-dia, o garçom nem vai se aborrecer para tirar seu pedido. Aqui, isso é o normal, a etiqueta básica. 

Eu nunca vi um país com tantas regras de etiqueta como a França. As pessoas respeitam essas regrinhas e costumam ser muito gentis (com quem é gentil com elas!). Foi uma diferença enorme sair da China e vir (praticamente) direto para cá. Mas eu estou gostando... Já assimilei rapidinho todas essas normas e estou sendo muito bem tratada em todos os lugares. 

---> Pessoal, tenho colocado fotos diárias na página do face. Quer ver? Entra lá: www.facebook.com/lulunachina



Escrito por Lúcia Anderson às 19h17
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Fotos de Paris

Pessoal,

para quem quiser ver fotos de Paris... todos os dias tenho colocado no www.facebook.com/lulunachina

Entre lá, curte a página e veja as fotos dessa cidade linda...



Escrito por Lúcia Anderson às 15h07
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"Quando estou em Pequim sinto falta de Paris...

 

... e quando estou em Paris sinto falta de Pequim".

É com essa frase que o diretor Chris Marker (1921-2012) começa o documentário "Dimanche à Pekin" ("Domingo em Pequim"), de 1956.  A China passou (e tem passado) por inúmeras transformações nas últimas décadas, mas muitas coisas continuam iguais. O filme, de pouco mais de 20 minutos, tem mais de 50 anos, e continua atual. Bebês com cabeça raspada e cabelinho só na frente, carrinhos de madeira feitos à mão para levar crianças, homem fazendo exercício com espada, guarda organizando o trânsito em frente à Cidade Proibida e tantas outras coisas... Vale a pena assistir o documentário (narrado em francês) mesmo que seja só para ver as imagens. 

"Sobre a China": ontem e hoje

 

No embalo de "China moderna com muitas influências de China milenar", acabei de ler um pequeno texto do Ferreira Gullar falando sobre o livro "Sobre a China", que eu também estou lendo. O livro, escrito por Henry Kissinger, que foi assessor de dois presidentes americanos, conta brevemente a história dessa civilização milenar tão fascinante que é o Império do Meio. Eu ainda estou no começo e vai demorar para terminar as mais de 500 páginas, mas estou gostando bastante. O Gullar comenta o que Kissenger escreveu sobre como os chineses se sentem superiores ao restante do mundo e sobre como, por milênios, evitaram contato com todos os outros países por acreditar que todas as outras nações eram formadas por bárbaros e pessoas "não-civilizadas". 

Tem muita, muita coisa que eu nunca vou entender sobre a China (e talvez por isso mesmo eu tenha tanto interesse no país), mas não é preciso estudar profundamente a cultura e nem morar uma vida inteira no país para saber que os chineses não confiam em estrangeiros (o que eu já escutei de "não se pode confiar em estrangeiros", "os estrangeiros sempre querem enganar os chineses", olha só que ironia! Alguns amigos chineses esqueciam que eu não era chinesa e soltavam essas frases sem perceber...) e que os chineses se acham SIM superiores ao restante do mundo. Mais uma ironia: tem tanto, mas tanto chinês no mundo e cada um deles se acha especial e melhor do que os outros. Já li que eles podem ter esse sentimento devido à política de um filho só: seis adultos (4 avós + pai e mãe) dando total atenção a uma única criança. Não tem jeito: eles se acham únicos, especiais e melhores do que os outros. 

Bom, mas toda essa divagação para falar sobre como atitudes e pensamentos antigos ainda continuam presentes na vida chinesa atual. Kissinger comenta sobre como, em 1793 (faz muito tempo!), os ingleses tentaram uma aproximação com a China e foram totalmente ignorados por se tratar de um "povo inferior". Quer saber mais sobre a China e todas essas ironias e contradições?

Vai lá:

Livro "Sobre a China", de Henry Kissinger, Ed. Objetiva

Texto do Gullar: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ferreiragullar/1168542-na-china-ninguem-se-chama-joao.shtml

Documentário: http://www.youtube.com/watch?v=ec9Ojy5QYvs e  http://www.youtube.com/watch?v=SUcccdUx9YM

 



Escrito por Lúcia Anderson às 18h06
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Chineses querendo tirar vantagem... até em Paris?

Apesar de sentir falta da China, tem coisas que eu prefiro esquecer... Lá era padrão: toda vez que eu comprava alguma coisa, antes de pagar, abria a sacola com o que ia levar e fazia vistoria. Conferia se a blusa que eu tinha experimentado era a mesma que estava no pacote e se tinha todos os botões, as duas mangas (sim! Conheço gente que comprou "a mesma" blusa que tinha experimentado e quando chegou em casa viu que tinha levado a peça com só uma manga!), se o pano estava inteiro (sim! Já paguei blusa com um buraco enorme nas costas! E para provar que veio assim da loja e que, não, eu não fiz o buraco em casa usando um maçarico no mesmo dia que comprei). 

Sempre tinha que conferir se o número de maçãs que eu tinha pagado era o mesmo número que estava na sacola, se a soma da conta do restaurante foi feita de maneira correta, se o preço do que aparece na conta era o mesmo preço que estava cardápio (quase sempre era "trocado sem querer"). Se o número de meias no pacotinho era o mesmo escrito na embalagem (já comprei pacote com 3 pares, mas só vieram 5 meias). Testava pelo menos dez vezes se o zíper da bolsa estava realmente funcionando (e se não abria e fechava uma única vez para depois quebrar em seguida). Enfim, na China estava sempre esperta para não ser enganada. 

Esta semana descobri uma livraria chinesa pertinho de casa e fiquei muito feliz. Conversei com a dona, disse que iria recomendar o lugar para vários colegas que também estudam chinês, falei que morava ali ao lado e que iria voltar muitas vezes. Ela me explicou que os livros custavam quase 10 vezes o preço da China porque o transporte era muito caro. Fiquei horas folheado os livros e escolhi dois. Paguei e atravessei a cidade para ter aula de chinês (e usar o livro que tinha comprado). Quando eu cheguei na escola... a surpresa! A dona (que foi simpática, que conversou comigo por mais de 1h) colocou um dos livros com as folhas totalmente amassadas dentro da sacola. Nem se eu tivesse sapateado em cima do livro aberto teria estragado tanto! É óbvio que ela trocou os livros e colocou um totalmente danificado para mim. Que raiva!!! Voltei na livraria e gastei o meu chinês. Onde já se viu querer tirar vantagem assim de alguém que prometeu recomendar o lugar e disse que iria voltar várias vezes? Aqui não é a China não, minha filha! 



Escrito por Lúcia Anderson às 20h01
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Meu perfil
Lúcia A., formada em Letras, especialista em Comunicação e escritora!

Foi trabalhar em Beijing, na China, e não sabe quando (e se!) volta ao Brasil. Escreve sobre suas descobertas, aventuras e outras coisinhas mais neste espaço.

e-mail: lunachina@uol.com.br

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