Insone

Três da manhã. Mais parece horário para ir dormir do que para acordar. A noite anterior foi tranquila. Exausta depois de quase 40h de viagem, sendo 23h dentro do avião, consegui dormir oito horas, mesmo com o fuso horário trocado. Fiquei feliz: pensei que meu corpo finalmente tivesse se adaptado às viagens. “Sou mais forte do que pensava”, falei baixinho.


Hoje, destruída, acordo às 3h da manhã. Coloco um app de meditação, que não adianta nada. Nunca adiantou. Vou apagar do celular. Procuro no youtube: “música para relaxamento”, “música para dormir profundamente”, “música com ondas delta (?!) para relaxar e encontrar paz interior”, “música para dormir em 5 min”. Depois de duas horas escutando notas de piano, som de chuva e de passarinho, desisto. Não consegui relaxar e nem encontrar minha paz interior, que parece cada vez mais distante.


Coloco as mensagens do grupo de “Jovens Sinologistas” no wechat em dia. Mais de 100 mensagens para ler. As pessoas mostrando fotos de seus países. Prato generoso de almôndegas e batata frita do moço da Bélgica, lindo Pôr do Sol do italiano desastrado e bonitas praias no Sri Lanka de uma moça, bem... do Sri Lanka.


Meu coração ainda está na China. Tenho saudades. Apesar das aulas e da rotina extremamente intensa, foram três semanas incríveis. Conheci pessoas que não podia imaginar existir. Pessoas que gostam tanto de um lugar como eu! Pessoas parecidas comigo e que me entendem. Sim, apesar dos pesares, dos lugares lotados, dos banheiros sujos, do barulho e da poluição não há lugar mais lindo e encantador do que o gigante vermelho.


 

Quando eu me perdi pelas hutongs em Houhai e quando andei de barco no parque do bambu roxo... era ali que eu queria estar. Quando eu vi os bebês gordinhos sorrindo para mim... era ali que eu queria estar. Quando vi senhoras dançando com seus leques vermelhos nas praças... Ali que eu queria ficar para o resto dos meus dias. Ali minha vida fez sentido. Ali encontrei minha paz interior.  



Escrito por Lúcia Anderson às 05h24
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Conheça alguém diferente

Este texto foi adaptado do original publicado em: www.facesfemininas.com

Quer coisa melhor do que conhecer alguém diferente com um interesse em comum? Conversar, trocar ideias e aprender com alguém de outra parte do mundo?

Vim para a China participar de um programa do governo chinês chamado “Jovens Sinologistas”. São 20 dias de aulas (muitas, muitas aulas), passeios e viagens. Foram convidados 30 participantes (nem todos jovens…) de diversas partes do mundo e só eu do Brasil. Está sendo uma experiência incrível. Além das aulas e das conversas com professores das melhores universidades da China, a convivência com pessoas do mundo inteiro com um interesse em comum – China – está sendo fantástica.

Já no primeiro almoço de boas-vindas (uma banquete, como só os chineses sabem oferecer), entendi bem o sacrifício de fazer jejum durante o Ramadã, os quarenta dias em que muçulmanos não comem nada (e nem bebem água) do nascer ao pôr do Sol. O colega da Nigéria, muçulmano, sentou ao meu lado e não comeu absolutamente nada. Ele me explicou que um dos objetivos do jejum durante o Ramadã é para que pessoas comuns possam entender o que os pobres passam muitos dias: fome. Além disso, serve para que os fiéis entendam o real sentido de fazer esforço e se privar do que querem e/ou precisam.

Pude ver a dor nos olhos da francesa, famosa tradutora em seu país, vendo pela primeira vez notícias sobre o atentado terrorista em Nice. Fiquei admirada ao conversar com o belga de menos de 30 anos responsável por uma organização que cuida das relações entre a União Europeia e a China. Fiz amizade com uma moça bielorrussa, professora de língua chinesa na principal universidade em seu país, que adora o Brasil e fala um pouquinho de português (além de seis outras línguas!). Eu me diverti com o italiano, renomado crítico de arte asiática, com mais de 2 metros de altura que não tinha noção do seu tamanho e esbarrava em tudo e todos. 

Conversei muito com a búlgara, também professora universitária, sobre diferenças culturais e sobre o casamento dela com um alemão. Discuti de levinho com os indianos que insistiam que eu deveria sair do elevador antes deles e furar fila por ser mulher. Fui ao supermercado e andei horas com o moço da África do Sul, que acabou de terminar doutorado em sociologia chinesa (como eu!), e fiquei conversando sobre a vida. Fiz um acordo de só conversar em chinês com o nigeriano, apesar de inglês ser mais fácil para nós dois. Aprendi bastante com a holandesa, famosa escritora de cultura chinesa. Tirei centenas de fotos com a moça do Egito e a vietnamita, ambas professoras universitárias (e feministas, apesar de viverem em um país opressor como o nosso), que queriam registrar cada instante.

Conhecer gente do mundo inteiro que é referência em estudo da China mostrou que eu estou no caminho certo e que há muita gente interessante que compartilha meu amor por este país. 我爱中国!Conheça alguém diferente com um interesse em comum. Assunto não vai faltar! 



Escrito por Lúcia Anderson às 11h49
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Reportagens sobre o programa "Jovens Sinologistas"

Minha história sobre a China

http://www.chinadaily.com.cn/culture/2016-07/14/content_26085908.htm


Reportagem em chinês

http://news.lichuangcheng.com/mr1x60722n460553210t.html


Videozinho na CCTV, a "Globo" da China. Tem um pedacinho da minha apresentação

http://english.cctv.com/2016/07/08/VIDEbZJP3yHQldwZzSKayPXl160708.shtml


Em chinês, mas tem bastante foto

http://collection.sina.com.cn/yjjj/2016-07-22/doc-ifxuhukz0837624.shtml


Em inglês, mas não consegui ver as fotos:

http://english.eastday.com/auto/n917362/u1ai8553684.html


Mais um vídeo, no canal local de Beijing

http://www.iqiyi.com/v_19rrmfx5k4.html

 



Escrito por Lúcia Anderson às 11h29
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A lojinha sem vendedor

Aqui no hotel em que estou tem uma lojinha que vende água, chocolate, chá e itens de higiene pessoal.

Todo dia compro água e, hoje, quando cheguei lá não tinha ninguém. Fiquei esperando e nada. O porteiro do hotel viu que eu entrei, disse que poderia pegar o que quisesse e que era só deixar o dinheiro em cima do balcão (tudo tinha etiqueta com preço). 

Peguei duas garrafas de água e deixei os 6 yuans em cima do balcão. Pude ver que na mesa do outro lado do balcão tinha um monte de dinheiro amontoado de outras pessoas que fizeram a mesma coisa que eu. Ninguém para fiscalizar, nada.

Será que isso funcionaria no Brasil...?



Escrito por Lúcia Anderson às 09h40
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A China é para os fortes

Não tenho dúvidas: a China é para os fortes. Viver aqui não é fácil como morar nos EUA ou na Europa. É claro que tem suas vantagens, senão ninguém viria e nem ficaria no país, mas... 

* a língua é difícil. Em alguns meses dá para aprender a pedir comida sem pimenta e perguntar onde é o banheiro ou quanto custa alguma coisa. Entretanto, para se comunicar adequadamente, escrever textos formais e ler é preciso muita dedicação e estudo. 

* entrar e sair do metrô, do elevador e atravessar a rua é uma emoção. É muita gente. É preciso olhar para frente, para os lados e atrás de você para ver se não vem uma bicicleta, moto ou carro em alta velocidade pouco disposto a brecar. Já "salvei a vida" de vários amigos diversas vezes puxando-os para trás quando um veículo em alta velocidade se aproximava. Salve-se quem puder.

* a poluição pode atrapalhar a sua vida. Não, não é como São Paulo. Não, não dá para comparar. Às vezes, a visibilidade é de poucos metros. Respirar torna-se difícil. Só muito amor para aguentar.

* muitas burocracias. O Brasil também tem muitas burocracias, mas aqui é difícil tirar visto, estrangeiro precisa se registrar na polícia e por aí vai... Não é qualquer um que aguenta. 


Novamente: há vantagens enormes em morar aqui. Para mim, a segurança é a principal. Andar sozinha à noite tendo a certeza que vou chegar bem em casa compensa quase tudo. Chinês é uma língua difícil, mas muito interessante. Quanto mais se estuda, mais dá vontade de estudar (é sério!). Em um próximo post falo das vantagens, mas, definitivamente: a China é para os fortes!



Escrito por Lúcia Anderson às 13h39
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Eu tinha esquecido como...

* a comida chinesa é tão gostosa

* todos os lugares são lotados. TO-DOS. 

* a massagem daqui faz milagres e cura (quase) tudo

* as pessoas bebem água quente até no verão de 40 graus

* em alguns lugares é preciso pagar antes da comida chegar

* tenho amigos queridos aqui mesmo depois de tanto tempo fora

* essa cidade é cheia de contrastes - amor e ódio

* os parques chineses ficam cheios de flores de lótus e pessoas dançando no verão 

* os bebês chineses continuam lindos e gordinhos

* explorar e se perder nas hutongs (vielas antigas) é muito legal

* é preciso paciência para negociar quase tudo que se quer comprar

* a China é para os fortes (quer saber mais? Veja o post de amanhã!)



Escrito por Lúcia Anderson às 10h05
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Lu na China: o retorno

Você sai de Beijing, mas Beijing não sai de você. Eu já escutei essa frase em algum lugar e concordo plenamente. Nesses quatro anos longe da capital chinesa não houve um único dia em que eu não pensasse em voltar.


Desde que fui embora, no final de julho de 2012, algumas coisas aconteceram: passei alguns meses viajando pela Ásia, morei outros meses em Paris, comecei a estudar francês (e não aprendi nada), trabalhei bastante, morei um tempo em Miami a trabalho e, em 2015, comecei doutorado em relações China-Brasil. Estudei muito, muito, muito e consegui fazer todas as matérias em um só ano. Assim, teria três anos para me dedicar a uma tese maravilhosa e terminar o curso. Esse era o plano. Só que... apareceu uma oportunidade para voltar à China para estudar. Se tudo der certo, em setembro volto para Beijing por um ano.


Agora, estou na China participando de um evento chamado “Programa para Jovens Sinologistas”: são 30 pessoas de todas as partes do mundo (só eu do Brasil, mas tem gente da Itália, França, Paquistão, Bielorrússia, Tailândia, Vietnã e por aí vai) que foram escolhidas para ter aulas sobre língua, cultura e história chinesa. Vamos ficar por aqui durante 20 dias imersos na cultura chinesa. Está sendo fantástico, mas bem puxado.


Espero escrever diariamente sobre como estão as coisas aqui do outro lado do mundo e das expectativas de voltar para a cidade mais linda, interessante e contraditória do mundo! Vamos comigo?

 

 



Escrito por Lúcia Anderson às 06h53
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alguém ainda entra aqui?

Hoje está em 587.863 visitas.

Só curiosidade... quem ainda entra aqui? Deixe seu comentário. 


 



Escrito por Lúcia Anderson às 04h26
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Despedida

Pessoal,

chegou a hora de dizer adeus. Já faz mais de seis meses que eu fui embora de Beijing e não faz sentido continuar escrevendo sobre a China.

A viagem para a China, o blog e vocês, leitores, foram as melhores coisas que aconteceram na minha vida. Nos cinco anos de escrita conheci muita gente interessante e fiz ótimos amigos. Só falta decidir o próximo passo: trabalhar bastante em algum canto do mundo, estabelecer a minha vida em Campinas (São Paulo ou Rio), sair pelo mundo viajando sem rumo ou casar e ter bebês gordinhos... vai saber...

Agora estou viajando pela Ásia, em breve volto a Paris e depois ao Brasll. Nesses últimos dois meses fui para lugares lindos, comi coisas que nem imaginava e fiz (muitos) bons amigos. Adorei o Laos, passei uns apertos no Mianmar, senti o coração bater forte em Cingapura (como eu gostei dessa cidade!), fiquei encantada com a beleza das ilhas Gili, na Indonésia, comi muito bem em Taiwan, revi ótimas amigas na Tailândia e, finalmente, estou pronta para outra aventura. Vou colocar algumas fotos da viagem na página do blog no facebook: www.facebook.com/lulunachina

Se alguém quiser entrar em contato comigo pode me escrever em bloglunachina@gmail.com

Este blog existiu por mais de cinco anos (e com mais de 550 mil visitas!) somente por causa de vocês. Muito obrigada, leitores. 



Escrito por Lúcia Anderson às 16h08
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Estou arrasando o coração dos homens franceses...

... com mais de 80 anos.

Para quem não acredita... eu tenho testemunha!

Tudo começou em uma das minhas primeiras semanas em Paris. Eu estava andando pela manhã quando parei na calçada para atravessar a rua e um senhor (sim, com mais de 80 anos) usando sua bengala (sim, uma bengala!) me disse "bonjour" e perguntou para onde eu estava indo. Fiquei surpresa e dei risada da audácia dele. Para quê... o velhinho começou a me seguir! Ele disse mais algumas frases que eu não entendi e respondi que não falava francês. Ele falou em inglês se eu aceitaria tomar um café com ele (?!?!?!). Saí correndo. E nesses meses de França vários senhores (velhinhos mesmo) me deram "bonjour" na rua. Mas nas outras vezes fingi que não tinha escutado e saí de perto.

E, ontem, fui com uma amiga no Museu D'Orsay e um senhor, muito gentilmente, segurou a porta para nós passarmos. Quando eu passei ele veio atrás de mim e disse: "Vous êtes très très très belle". A amiga começou a rir e completou:

- Lúcia, você viu que ele também piscou para você?

- Pois é...



Escrito por Lúcia Anderson às 22h10
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Os extremos: etiqueta na China e na França

Bom, antes de começar o post, vejamos o significado de "etiqueta", segundo o Houaiss: 

"conjunto de regras de conduta, esp. as de tratamento, seguidas em ocasiões ger. formais, e que revelam sobretudo a importância social das pessoas envolvidas". 

Ótimo. Pois neste post eu vou falar de etiqueta e não de educação. Afinal, o que é educado em um lugar pode ser falta de educação em outro. E vice-versa.

Na China, uma das coisas mais complicadas foi acostumar com a etiqueta do país. Recebeu um presente de uma amiga chinesa? Nem pense em agradecer! Que falta de respeito desses ocidentais! Onde já se viu agradecer o presente de um amigo? Só se deve agradecer presentes recebidos de estranhos. Parece até que está rebaixando o amigo... que insulto. O mesmo serve se algum amigo chinês fizer um grande favor para você. Nem pense em agradecer. Você vai ouvir um sermão. 

Entrou na loja e cumprimentou a vendedora chinesa? Chega de ladainha que ninguém tem tempo a perder. Se não for comprar nada pode ir saindo que tem gente querendo entrar. Na China é assim: tudo prático, sem as regras de etiqueta que temos no ocidente. Não se agradece presentes e nem favores, não se cumprimenta a vendedora em lojas e nem o garçom em restaurantes. As pessoas vão direto ao ponto e falam o que querem, sem melindres. Economiza-se tempo. A comida estava boa? Coma com prazer, faça barulho ao mastigar para mostrar que está gostando, e não se sinta acanhado se quiser dar um arrotinho para deixar bem claro que está satisfeito. 

Na França é totalmente o oposto: ao entrar em uma loja ou café é OBRIGATÓRIO dar bom-dia a quem vai te servir, falar por favor no final da frase, e já emendar um "merci". A vendedora ou o garçom vai fazer o mesmo: bom-dia, por favor e merci para o freguês. Eu arrisco dizer que se você não der bom-dia, o garçom nem vai se aborrecer para tirar seu pedido. Aqui, isso é o normal, a etiqueta básica. 

Eu nunca vi um país com tantas regras de etiqueta como a França. As pessoas respeitam essas regrinhas e costumam ser muito gentis (com quem é gentil com elas!). Foi uma diferença enorme sair da China e vir (praticamente) direto para cá. Mas eu estou gostando... Já assimilei rapidinho todas essas normas e estou sendo muito bem tratada em todos os lugares. 

---> Pessoal, tenho colocado fotos diárias na página do face. Quer ver? Entra lá: www.facebook.com/lulunachina



Escrito por Lúcia Anderson às 19h17
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Fotos de Paris

Pessoal,

para quem quiser ver fotos de Paris... todos os dias tenho colocado no www.facebook.com/lulunachina

Entre lá, curte a página e veja as fotos dessa cidade linda...



Escrito por Lúcia Anderson às 15h07
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"Quando estou em Pequim sinto falta de Paris...

 

... e quando estou em Paris sinto falta de Pequim".

É com essa frase que o diretor Chris Marker (1921-2012) começa o documentário "Dimanche à Pekin" ("Domingo em Pequim"), de 1956.  A China passou (e tem passado) por inúmeras transformações nas últimas décadas, mas muitas coisas continuam iguais. O filme, de pouco mais de 20 minutos, tem mais de 50 anos, e continua atual. Bebês com cabeça raspada e cabelinho só na frente, carrinhos de madeira feitos à mão para levar crianças, homem fazendo exercício com espada, guarda organizando o trânsito em frente à Cidade Proibida e tantas outras coisas... Vale a pena assistir o documentário (narrado em francês) mesmo que seja só para ver as imagens. 

"Sobre a China": ontem e hoje

 

No embalo de "China moderna com muitas influências de China milenar", acabei de ler um pequeno texto do Ferreira Gullar falando sobre o livro "Sobre a China", que eu também estou lendo. O livro, escrito por Henry Kissinger, que foi assessor de dois presidentes americanos, conta brevemente a história dessa civilização milenar tão fascinante que é o Império do Meio. Eu ainda estou no começo e vai demorar para terminar as mais de 500 páginas, mas estou gostando bastante. O Gullar comenta o que Kissenger escreveu sobre como os chineses se sentem superiores ao restante do mundo e sobre como, por milênios, evitaram contato com todos os outros países por acreditar que todas as outras nações eram formadas por bárbaros e pessoas "não-civilizadas". 

Tem muita, muita coisa que eu nunca vou entender sobre a China (e talvez por isso mesmo eu tenha tanto interesse no país), mas não é preciso estudar profundamente a cultura e nem morar uma vida inteira no país para saber que os chineses não confiam em estrangeiros (o que eu já escutei de "não se pode confiar em estrangeiros", "os estrangeiros sempre querem enganar os chineses", olha só que ironia! Alguns amigos chineses esqueciam que eu não era chinesa e soltavam essas frases sem perceber...) e que os chineses se acham SIM superiores ao restante do mundo. Mais uma ironia: tem tanto, mas tanto chinês no mundo e cada um deles se acha especial e melhor do que os outros. Já li que eles podem ter esse sentimento devido à política de um filho só: seis adultos (4 avós + pai e mãe) dando total atenção a uma única criança. Não tem jeito: eles se acham únicos, especiais e melhores do que os outros. 

Bom, mas toda essa divagação para falar sobre como atitudes e pensamentos antigos ainda continuam presentes na vida chinesa atual. Kissinger comenta sobre como, em 1793 (faz muito tempo!), os ingleses tentaram uma aproximação com a China e foram totalmente ignorados por se tratar de um "povo inferior". Quer saber mais sobre a China e todas essas ironias e contradições?

Vai lá:

Livro "Sobre a China", de Henry Kissinger, Ed. Objetiva

Texto do Gullar: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ferreiragullar/1168542-na-china-ninguem-se-chama-joao.shtml

Documentário: http://www.youtube.com/watch?v=ec9Ojy5QYvs e  http://www.youtube.com/watch?v=SUcccdUx9YM

 



Escrito por Lúcia Anderson às 18h06
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Chineses querendo tirar vantagem... até em Paris?

Apesar de sentir falta da China, tem coisas que eu prefiro esquecer... Lá era padrão: toda vez que eu comprava alguma coisa, antes de pagar, abria a sacola com o que ia levar e fazia vistoria. Conferia se a blusa que eu tinha experimentado era a mesma que estava no pacote e se tinha todos os botões, as duas mangas (sim! Conheço gente que comprou "a mesma" blusa que tinha experimentado e quando chegou em casa viu que tinha levado a peça com só uma manga!), se o pano estava inteiro (sim! Já paguei blusa com um buraco enorme nas costas! E para provar que veio assim da loja e que, não, eu não fiz o buraco em casa usando um maçarico no mesmo dia que comprei). 

Sempre tinha que conferir se o número de maçãs que eu tinha pagado era o mesmo número que estava na sacola, se a soma da conta do restaurante foi feita de maneira correta, se o preço do que aparece na conta era o mesmo preço que estava cardápio (quase sempre era "trocado sem querer"). Se o número de meias no pacotinho era o mesmo escrito na embalagem (já comprei pacote com 3 pares, mas só vieram 5 meias). Testava pelo menos dez vezes se o zíper da bolsa estava realmente funcionando (e se não abria e fechava uma única vez para depois quebrar em seguida). Enfim, na China estava sempre esperta para não ser enganada. 

Esta semana descobri uma livraria chinesa pertinho de casa e fiquei muito feliz. Conversei com a dona, disse que iria recomendar o lugar para vários colegas que também estudam chinês, falei que morava ali ao lado e que iria voltar muitas vezes. Ela me explicou que os livros custavam quase 10 vezes o preço da China porque o transporte era muito caro. Fiquei horas folheado os livros e escolhi dois. Paguei e atravessei a cidade para ter aula de chinês (e usar o livro que tinha comprado). Quando eu cheguei na escola... a surpresa! A dona (que foi simpática, que conversou comigo por mais de 1h) colocou um dos livros com as folhas totalmente amassadas dentro da sacola. Nem se eu tivesse sapateado em cima do livro aberto teria estragado tanto! É óbvio que ela trocou os livros e colocou um totalmente danificado para mim. Que raiva!!! Voltei na livraria e gastei o meu chinês. Onde já se viu querer tirar vantagem assim de alguém que prometeu recomendar o lugar e disse que iria voltar várias vezes? Aqui não é a China não, minha filha! 



Escrito por Lúcia Anderson às 20h01
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O óbvio: a Amélie

Nesse meu trabalho de regressão de tentar entender por que, do nada, tive a necessidade de vir morar em Paris... esqueci do óbvio: a Amélie Poulain.

O filme francês de 2001 conta a história de uma moça que sente prazer em pequenas coisas da vida, como comer framboesas (colocadas por cima dos dedos), quebrar a casquinha do crème brûlée (difícil escrever!), sentir a mão escorregando nos grãos em um imenso saco e por aí vai...

Eu gosto muito desse filme e acho que sou um pouquinho como a Amélie. Se o tempo ajudar, este final de semana vou fazer o "circuito Amélie" e ir nos lugares que foram filmados a película.

Alguns dos lugares que eu quero ir: http://www.youtube.com/watch?v=k8MPH2uQzY8




Escrito por Lúcia Anderson às 08h31
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Palavrinhas mágicas

Semana passada eu falei sobre isso e reitero: falar "bonjour", "s'il vous plaît", "merci" e "au revoir" faz com que o (aparentemente) mais carrancudo dos franceses abra um sorriso e esteja pronto para ajudar. Não importa a pressa que você esteja, use 1 segundo a mais e, antes de pedir qualquer informação diga: "bonjour, Monsieur" ou "bonjour, Madame" e eu JU-RO que todas as portas se abrirão e vocês irão ver um povo muitíssimo educado e disponível para dar informação e conversar.

De acordo com estatísticas oficiais da capital francesa, a cidade recebe quase 30 milhões de visitantes por ano e é o lugar mais visitado do mundo. Os turistas estão por toda parte com seus imensos mapas, câmeras fotográficas e sacolas de compras. Agora, eu estou do outro lado e já posso me considerar uma moradora local. Eu nunca vou ser parisiense, mas já não sou mais turista.

Ser francês em Paris não é fácil. Já vi turistas muito mal educados cutucando uma pessoa na rua e falando em inglês: "Estação xxx?" e complementando: "Fala logo que a gente tá com pressa!" E depois reclamam que o francês foi mal educado... oras!

É só usar as palavrinhas mágicas que um universo se abrirá. Vai por mim!



Escrito por Lúcia Anderson às 16h38
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Cinco coisas que você sabe sobre a França e...

... é verdade!

Para começar a falar sobre a França e os franceses coloco aqui uma pequena lista sobre o que vocês certamente sabem sobre a França e é verdade. A lista vem de uma charge que eu vi na casa de uma amiga e adorei.

* Os franceses andam irritantemente elegantes

As ruas de Paris parecem mais uma passarela. Pessoas bem vestidas, elegantes ao extremo, mulheres bem maquiadas, cabelos impecáveis. Todo dia é sábado e "dia de usar a melhor roupa" na capital francesa.

* As pessoas fazem biquinho ao falar

A língua mais linda do mundo deve ser declamada com classe e muitas palavras precisam ser ditas com biquinho. "Bonjour", "Monsieur" e tantas outras. Acho um charme e adoro!

* Eles são extremamente exigentes com comida

A culinária francesa é conhecida mundialmente pela sua apresentação caprichada e seus sabores delicados e, é claro, os franceses torcem o nariz para comidas industrializadas e fast-foods. Aqui tem Mc Donalds e outras redes, mas só vejo jovens comendo esse tipo de comida.

* Os franceses dizem "Uh, la la!"

Sim, sim, sim! Essa expressão que demonstra surpresa e encantamento é exclamada com frequência. Engraçadinho!

* Eles andam com a baquete no sovaco

Os franceses andam com o típico pão francês embaixo do sovaco, na garupa da bicicleta... O pão normalmente vem enrolado por um pedacinho mínimo de papel só no lugar de segurar. 




Escrito por Lúcia Anderson às 13h29
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Estou na cidade mais linda do mundo

 

Como muita gente acertou... estou em:


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….


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…...


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…...



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…..



Paris!



Escolher uma cidade para morar em outro país não é coisa das mais simples. Ainda mais quando não se fala a língua local e não há um só conhecido para ajudar com coisas básicas, como encontrar um lugar para morar. 


Mas depois de passar três dias em Paris, semanas atrás, não teve jeito: me apaixonei pela cidade e precisava voltar. Além disso, sempre quis aprender francês. Para que esperar? Juntei as duas vontades e estou estudando francês em Paris. 


Quando decidi morar aqui, uns 10 dias antes de vir, estava em Barcelona e comecei a procurar cursos de francês e moradia. Fiquei horas e horas coletando o máximo de informação possível. Uma amiga me disse sobre um curso de francês na prestigiada Universidade Sorbonne. Entrei na página da universidade e era o último dia de inscrição! Consegui me inscrever e fui aceita para estudar na instituição durante um semestre. E foi por lá também que eu consegui moradia: um apartamentinho minúsculo no melhor lugar da cidade: pertinho do Jardim de Luxemburgo.  

Eu lembro bem a primeira vez que fui ao Jardim (há cerca de um mês). Estava calor e, depois de passear pelo parque, sentei em um café para tomar um lanche. De sobremesa, pedi framboesas (eu até escrevi no blog sobre isso). Na mesa ao lado, sentou uma americana e começamos a conversar. Ela me disse que fazia doutorado na Sorbonne, morava nas redondezas, e atravessava o jardim para ir à universidade. 


Fiquei pensando dias e dias nessa conversa de pouco mais de uma hora e acho que essa foi uma das minhas inspirações. Eu fiquei admirada com a história dessa mulher e, dias atrás, me dei conta que inconscientemente segui o mesmo caminho. Meio sem querer acabei escolhendo estudar na Sorbonne (quase perco a inscrição!) e morar pertinho do parque (foi o apartamento com melhor custo-benefício que eu encontrei).


Agora vai ser: Lu na China em Paris. Histórias de uma brasileira na cidade mais linda do mundo, com tempero brasileiro e algumas pitadinhas orientais. Impossível não comparar o que eu aprendi e vivi na China com tudo de novo que estou descobrindo aqui. 

 



Escrito por Lúcia Anderson às 06h55
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É amanhã e facebook

Pessoal,

é amanhã que vou contar um pouquinho mais sobre o que ando fazendo.

Enquanto isso... vocês podem entrar no face e dar uma olhadinha na minha página no endereço: http://www.facebook.com/lulunachina

Como está difícil colocar fotos aqui no blog, vou tentar postar no face.

:)



Escrito por Lúcia Anderson às 20h05
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Relatório de visitas

Saiu mais um relatório de visitas do blog. Em uma semana tivemos 2258 acessos, uma média de 320 por dia. A maior parte das visitas, claro, é do Brasil. Mas China, Portugal, Alemanha e Japão também têm muitos leitores. Agora, o que eu queria saber é quem da Noruega, Israel, Iraque, Rússia e Árabia Saudita entrou no blog.


Pesquisa do google

A lista do que as pessoas colocaram no google para chegar ao blog é grande, quase 300 pesquisas diferentes, mas selecionei algumas e coloco aqui embaixo.


* bebê mais lindo do mundo -- eu também queria ver!

* bebês chineses -- adoro!

* bebê lindos -- não seria bebês lindos?

* bebes lindo -- tá difícil acertar a concordância, hein!

* bebê mais lindo do mundo menina -- mais um

* bebes de olhos verdes -- e outro

* bebês fofos e lindos -- específico! 

* bebês fofos e lindos chineses -- mais específico ainda!

* bebês japones -- no meu blog só tem bebês chineses!


* a coisa mais linda do mundo -- eu também quero saber o que é!


* chow chow panda -- esse post rendeu visita

* cachorro de língua azul -- todo mundo quer ver o bicho

* cachorro que parece um panda -- chow chow!

* chow chow azul -- cachorro azul não! Cachorro de língua azul

* show show -- ah, não

* show show panda -- não

* chom chom cachorro com 4 mes -- tá perto!

* chau chau panda --  quase, tenta mais um pouquinho!

* chow chow com pelo encaracolado -- existe?


* como conseguir uma passagem na primeira classe sem muito dinheiro -- se você descobrir, me fala!

* como dizer hotel lotado em inglês -- que tal pesquisar em um dicionário? 

* porque chines não engorda -- boa pergunta! Também queria saber!

* simpatia para meu marido ir embora da minha vida -- como a pessoa chegou no blog Lu na China colocando isso no google??

* trem chines lotado -- acredite em mim: é horrível!


* beijar chineses -- afff

* massagem chinesa existe sacanagem -- ... quando foi que eu escrevi algo assim?

* mulheres chinesas peladas -- ...

* quantos travestis existem na China actualmente -- no meu blog não tem essas coisas, oras!

* quem tem covinha no rosto beija bem -- tenta e depois me fala!



Escrito por Lúcia Anderson às 16h38
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Meu perfil
Lúcia A., formada em Letras, especialista em Comunicação e escritora!

Foi trabalhar em Beijing, na China, e não sabe quando (e se!) volta ao Brasil. Escreve sobre suas descobertas, aventuras e outras coisinhas mais neste espaço.

e-mail: lunachina@uol.com.br

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