Aqui na China: cada um com seus problemas

Apesar de amar este país, tem coisas que eu não consigo entender. Apesar de raros, os casos de roubo (furto é mais comum), violência e estrupro existem. E é assim: cada um com seus problemas.

Alguém mostra uma faca e tenta roubar alguma coisa sua a luz do dia? Tenha certeza: ninguém, repito: ninguém, vai fazer absolutamente nada para impedir. Foi atropelado e o motorista fugiu? Sinto muito, mas você vai agonizar até a morte. Nem pense que alguém vai gastar crédito do celular e chamar uma ambulância. Problema SEU! Quem mandou ser atropelado... Um louco tenta molestar (ou estuprar) uma jovem no meio de uma rua movimentada com MUITAS pessoas passando? Muito provavelmente ninguém vai fazer nada.  Você será a exceção da exceção se alguém te ajudar. Aqui é assim: cada um com seus problemas.

Os casos mais recentes e absurdos (ainda mais para nós brasileiros) são o da pobre Yue Yue de apenas dois anos que foi atropelada por dois carros (que fugiram) e ignorada por nada menos do que 18 (sim, DEZOITO) pessoas. Eu vi o vídeo em que as 18 pessoas passam a menos de um metro da agonizante criança e não fazem absolutamente nada. O caso aconteceu na cidade de  Guangzhou, no sul da China, e despertou discussão  nos sites chineses.

Outro episódio que teve grande repercussão foi o do gaúcho Mozer de Oliveira. O brasileiro trabalha há três anos em uma fábrica de calçados na cidade de Dongguan, no sul da China. No começo deste mês o gaúcho virou herói depois de impedir o furto da bolsa de uma chinesa. Mozer bateu com o guarda-chuva na mão do ladrão que tentava furtar a bolsa. No mesmo momento em que ele tentava impedir a ação, os dois ladrões começaram a espancá-lo. O mais assustador foi que os chineses que estavam ao redor do incidente só ficaram assistindo a tudo aquilo.  Ah! Muitos dos chineses que estavam assistindo ao brasileiro ser espancado eram pessoas que ele conhecia (!!!). É.

O caso mais recente de "cada um com os seus problemas" aconteceu semana passada em Beijing. Aliás, aconteceu a poucos metros de onde eu morava, na região de Xuanwumen, no centro da cidade, área de grande movimentação. Um homem inglês, visivelmente embriagado ou drogado, tenta estuprar uma moça chinesa. Vi o vídeo em que ela grita desesperada por ajuda e diz que não conhece o laowai. A essa altura, uma pessoa estava filmando o acontecimento, e NÃO FEZ ABSOLUTAMENTE NADA. Sim, isso mesmo: a moça estava sofrendo uma tentativa de estupro e uma outra pessoa (????) filmava. Depois de um tempo, um homem chinês chega e pergunta o que o gringo estava fazendo. Depois disso, a moça - chorando muito - consegue fugir.

Não importa o quanto eu me esforce: essas coisas simplesmente não têm explicação para mim. Mas aqui é assim: cada um com seus problemas. MEDO!



Escrito por Lúcia Anderson às 11h12
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Pólen das árvores de Beijing: parece neve

Uma das coisas mais fascinantes do clima de Beijing, além das quatro estações bem definidas, são alguns fenômenos meteorológicos bem característicos da região. Inverno com neve, verão com chuvas e primavera com tempestade de areia e pólen das árvores voando para todos os lados.

Não que tempestade de areia seja legal, mas... acho muito interessante acordar um dia e estar absolutamente tudo laranja. Parece que você está em um sonho ou dentro de uma fotografia envelhecida. As tempestades de areia atingem a capital chinesa todos os anos por 3 ou 4 dias com areia diretamente da Mongólia Interior, província no norte do país. Tudo fica laranja.

E, na breve primavera da capital chinesa, o pólen se solta das árvores e voa para todos os lados. Olhando no chão até parece neve. Acho muito legal. Normalmente, esse evento dura alguns poucos dias, mas desta vez Beijing está enfeitada com o pólen das árvores há mais de três semanas! Dizem que há mais de 300 mil árvores soltando seus pólens por aqui...

Muito, muito pólen

A foto saiu estranha, mas eu pareço bem mais magra do que realmente estou... :)



Escrito por Lúcia Anderson às 10h03
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Esperando, esperando...

Tem coisa mais chata do que esperar? Esperar alguém chegar, esperar notícia boa ou ruim, esperar um bebê nascer, esperar a decisão de alguém... esperar, esperar... e ter paciência! Aí, definitivamente, está um dos meus pontos (mais) fracos.

Pois estou tendo que passar por cima desse meu desgosto e estou tendo que esperar. Faz três dias que eu não coloco o pé para fora da universidade esperando a orientadora entrar em contato comigo para nós, mais uma vez, revisarmos a (mal?) bendita dissertação. Quem é amigo próximo já não aguenta escutar, mas... desta vez eu realmente acho que terminei. Acabei de contar e você pode não acreditar, mas escrevi 62 versões da dissertação. Reescrevi o monstrinho praticamente inteiro (mudando mais de 80%) exatas 4 vezes. Número de azar. É muito capaz que eu tenha que reescrever mais uma vez antes de finalizar - definitivamente - este trabalho que foi o mais difícil e penoso que já fiz.

Hoje, com a professora particular, acertei os últimos detalhes: todo trabalho está com fonte preta, tabela nas fotos, um primor!  Agora resta esperar a decisão final da minha orientadora. De qualquer forma, o sofrimento tem data para terminar: até o dia 15 de maio, próxima terça, tenho que imprimir as 8 cópias para entregar aos professores. Depois, só preparar o discurso para a apresentação e acabou. Ufa! Não vejo a hora. Eu sempre achei legal e admirei pessoas com mestrado e doutorado, mas agora... sei o valor que esses diplomas têm. Não é fácil não. Agora resta esperar (e rezar!).



Escrito por Lúcia Anderson às 09h29
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E, um dia, você acorda e...

... percebe que, apesar de seus olhos continuarem redondos, você está (sim!) um pouco chinesa. E não é só coincidência que, recentemente, todos os seus amigos estejam dizendo a mesma coisa. Você se sente mesmo totalmente adaptada e habituada aos hábitos locais (também... depois de quatro anos!) e já considera a China seu lar.

Eu sou brasileira (e sempre vou ser), mas de uns tempos para cá não há como negar como, muitas vezes, me pego sendo chinesa: já aprendi todas as artimanhas de negociar como os locais, já arrisco um restaurante mais exótico, não tenho medo de ser sincera como o povo daqui é ("Tô gorda?" "Tá!"), me pego pensando em chinês, falando expressões em chinês, xingando (em pensamento) em chinês e curtindo fazer programas que os chineses gostam. Várias vezes apontei e também falei alto: "Laowai, laowai!" Sem querer!

Alguns valores que eu tinha também mudaram. A comida passou a ter um valor quase sagrado, eu sou muito mais desconfiada com as pessoas do que era quando cheguei aqui, (quase) acredito que a água quente cura todos os males do corpo.

Dizem que quando você está na China e começa a agir como os chineses está na hora de ir para outro lugar...



Escrito por Lúcia Anderson às 12h03
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Não pergunte sobre a minha dissertação

Alguém me disse que no finado orkut tinha uma comunidade com este nome: "não pergunte sobre a minha dissertação". Pois bem, queridos leitores. A coisa tá feia. É claro que eu sabia que iria dar trabalho, mas espera aí... já passou desse ponto. Eu estou fazendo a pesquisa sozinha, mas várias pessoas estão me ajudando com a língua: orientadora, professora particular, revisora de chinês e uma estudante de mestrado. Reitero que todo conhecimento é meu, mas estou tendo ajuda para - principalmente - revisar o que escrevo. Afinal, escrever a dissertação final de mestrado em chinês não é tarefa das mais simples.

Bom, mas vamos mudar de assunto, por favor.

Vocês se lembram de um post que eu escrevi dizendo que é muito difícil fazer amigos chineses? Pois é, segundo a minha teoria, a maioria dos chineses tem um certo "bloqueio" de ser amigo de ocidental.  Estou generalizando, gente. Em todo lugar tem exceção. Naquele post tinha comentado as "desculpas" que os chineses dão para não aceitar algum convite: lavar roupa, passear com o cachorro, estudar e por aí vai...

Ontem eu convidei a estudante de mestrado que está me ajudando para almoçar comigo. Reproduzo aqui as duas mensagens de celular:

eu: Bom dia, Li! Vamos almoçar juntas? A gente pode se encontrar às 12h na frente do seu dormitório e depois decidir onde comer. :) Até mais!

Li: Oi, Lu xi ya. Desculpe, mas eu acabei de voltar do banco. Agora tenho que lavar roupa e depois tenho aula. Eu também estou com dor no corpo inteiro e depois tenho que estudar para a prova da semana que vem. Outro dia a gente combina.



Escrito por Lúcia Anderson às 03h02
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Meu nome é Lúcia e moro na China

Pessoal, ando muito ocupada com a dissertação, mas estou na reta final. Amanhã tenho mais um encontro com a orientadora. Torçam por mim!

Bom, mas eu passei rapidinho aqui só para dizer duas coisas:

1. meu nome é Lúcia. Mas vocês podem me chamar de Lu, Lulu, Luluzinha e afins. Meu nome NÃO é "Luna" e nem "Luciana" e semelhantes.

2. o nome do blog é "Lu na China" e, sim, eu moro na China. E não no Japão.

Sempre recebi emails de pessoas me chamando de "Luna" e "Luciana". Sempre. Mas parece que, recentemente, tem aumentado. E, de uns tempos para cá, também tenho recebido muitos emails de pessoas pedindo informações sobre o Japão... Eu moro na China, gente.

PS: Estou com 876756 emails para responder. Depois que eu entregar a dissertação coloco tudo em dia. Paciência, queridos leitores, paciência.



Escrito por Lúcia Anderson às 12h21
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Eu estou criando um MONSTRO

Antes, eu chamava a dissertação - com muito carinho - de "meu bebê" ou "meu filhote". Depois, comecei a chamar de "monstrinho" porque foi ficando cada vez maior e chata de escrever. A partir de hoje, minha dissertação se chama simplesmente "MONSTRO", sem pronomes carinhosos ou diminutivos. Estou cansando. Não acaba nunca! Semana passada eu achei que tivesse escrito mais de 80% e dei uma relaxada no final de semana.

Só que comecei a arrumar os (aparentemente) simples pontos que a minha orientadora pediu e... o negócio não acaba e parece estar longe do fim. Ela pediu mais exemplos. Achar exemplos de slogans chineses governamentais ou ambientais é fácil. Moleza. Achar exemplos brasileiros também não é a coisa mais difícil do mundo não. O problema começa na tradução. Que trabalho inglório! Quase uma hora por frase! Uns 30 minutos tentando traduzir sozinha e mais 30 minutos explicando para a professora particular o que eu quero dizer. Como explicar o joguinho linguístico em "Se rolar, use camisinha" ou em "Sem camisinha não dá. Seja qual for a fantasia, use sempre camisinha" (afffff!). Sério... E depois de um tempão explicando a cultura brasileira, desenhando, mostrando foto do Carnaval, a professora: "Luxiya, acho que agora eu finalmente entendi! Mas só por curiosidade: qual a relação da roupa da pessoa com o uso de preservativo?" Difícil, difícil.

Atualização do dia: MONSTRO com 43 páginas e 23.434 caracteres.



Escrito por Lúcia Anderson às 09h55
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Dissertação - ninguém disse que seria fácil

Assistir às aulas e cumprir todos os créditos do mestrado - em chinês - não foi fácil. Mas eu consegui! Passei todas as matérias com notas acima de 8 (ou quase isso!). Estudei muito, como nunca tinha estudado na minha vida. Cada ponto era estudado pelo menos 4 vezes: o ppt ou livro tinha todo o vocabulário pesquisado por mim, depois a professora particular explicava as palavras e a teoria que eu não tinha entendido. Isso ANTES da aula propriamente dita. Na aula, eu já sabia o que o professor estava dizendo e era tudo (um pouco mais) fácil. Depois, matéria estudada de novo para não ficar nenhuma dúvida. Meu pai sempre disse que eu tinha que estudar as matérias antes das aulas. Fiz isso no mestrado e deu certo.

Bom, esse um ano e meio passado foi lindo: aprendi muito e aproveitei bastante a vida universitária. Tudo perfeito se não fosse uma coisa chamada "lunwen": a dissertação final de mestrado. Os adjetivos que eu gostaria de escrever não são adequados para este blog familiar. Mas o negócio está complicado. Como vocês sabem, estou fazendo um trabalho comparando slogans no Brasil e na China. No mínimo, tenho que escrever 10 mil caracteres (em chinês, faço questão de lembrar). O meu trabalho está com 15 mil caracteres e eu ainda tenho MUITO o que falar. não sei onde isso vai parar...

Ontem foi meu primeiro encontro com a orientadora. Ela disse que eu não precisava explicar tão profundamente os exemplos. Mas é uma dissertação de mestrado! Escrever um trabalho mais simplicado vai ser difícil.

Eu estou preocupada e tenho dormido mal. Mas pelo menos estou dormindo. Meus colegas asiáticos... estão muito mais agoniados e estressados do que eu. Dá até dó... Pessoas que há semanas não dormem mais do que 3 ou 4 horas por dia. O desespero está estampado nos olhos.

Bom, quando tiver boas notícias volto a escrever sobre o lunwen.

Um dos slogans mais famosos para incentivar os estudantes: "Estude bem, todos os dias avante"



Escrito por Lúcia Anderson às 22h15
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É difícil ser estrangeira bonita na China

Não, não estou falando de mim, mas da linda gringuinha que eu encontrei no parque. :)

Estava andando feliz pelas cerejeiras floridas quando percebi um rebuliço. Será uma pessoa famosa? Alguém tocando um instrumento? Era apenas uma mocinha de cachinhos loiros prendendo a atenção e atraindo todas as câmeras próximas. A mãe, achando a maior graça, registrava cada momento.

Linda, linda com coroa de flores

Parecia modelo famosa. Um charme



Escrito por Lúcia Anderson às 03h05
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Cerejeiras em flor e piquenique

Como a Páscoa não é comemorada por aqui, ontem resolvi fazer um programa bem chinês (e que eu adoro): levar comidinhas gostosas para o parque e comer às sombras de árvores floridas. Esta é a época em que as cerejeiras em flor estão em sua maior exuberância: uma fartura de cores por todos os lados. O passeio foi ótimo, mas como sempre... todos os chineses de Beijing tiveram a mesma ideia e o lugar estava entupido!

Bom, chega de falar. As fotos já dizem tudo.

O piquenique foi caprichado

O Parque do Lago de Jade - Yuyuantan goungyuan - é lindo e estava cheio de barquinhos...

... e de pessoas mais ainda!

Eu disse: todo mundo teve a mesma ideia!

As cerejeiras estavam lindíssimas

"Que gosto tem essa flor?"

eheheh

Um céu de flores



Escrito por Lúcia Anderson às 22h45
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Aqui na China não tem gay, nem pessoas com deficiência física ou mental

Apesar do título parecer absurdo, é isso que os chineses vão responder se você perguntar sobre homossexualismo ou sobre pessoas com deficiência. Na China não tem. É o que eles falam, pelo menos. É certo que nas ruas da capital chinesa pouquíssimas vezes vi cadeirantes. Na verdade, só me lembro de ter visto senhores muito idosos andando de cadeiras de rodas. Fazendo esforço para lembrar... não consigo recordar de uma só pessoa com menos de 80 anos numa cadeira de rodas.

Pessoas com outras deficiências - visual, auditiva, mental - e com síndromes (como a síndrome de down) posso afirmar: nunca vi pelas ruas de Beijing. O que já li e ouvi diversas vezes é que se a família não abandona o bebê quando descobre alguma deficiência (parece que é muito comum), a criança passa a viver somente dentro de casa. Triste.

Agora, apesar de os chineses negarem a existência, o homossexualismo está nítido e escancarado por todos os cantos da cidade. Aliás, aqui na conservadora China, onde muitas pessoas ficam chocadas ao ver um inocente beijinho entre dois ocidentais, já vi coisas, viu... Lembro bem uma vez que fui estudar em um café sábado à tarde. Duas moças, sem pudor, estavam fazendo coisas que só deveriam fazer em um quarto trancado. Todas as outras pessoas do café fazendo de conta que não estava acontecendo nada. Afinal, aqui na China não tem essas coisas.



Escrito por Lúcia Anderson às 03h41
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Namorado chinês

Eu não tenho dúvidas: a melhor maneira de aprender uma língua é namorar alguém que já fala o idioma fluentemente. De preferência alguém do país que fala a língua que você quer aprender. Nada melhor (e mais eficiente) do que aprender palavras novas com alguém que vai ter paciência de repetir aquilo 87665 vezes. Vai achar graça quando você falar errado. Vai servir como um dicionário ambulante e estar ao seu lado para sanar todas as suas dúvidas linguísticas. Vai sussurar vocabulário nos seus ouvidos e ensinar coisas novas ao mesmo tempo em que faz carinho nos seus cabelos. Perfeito, não é mesmo?

Bom, tudo isso para dizer que hoje à tarde estava estudando no café da minha uni quando duas amigas começaram a conversar:

moça 1: não dá. Não sei mais o que fazer. Vou a todas as aulas, estudo em casa, faço aula particular, escuto música em chinês e nada

moça 2: é difícil, né

moça 1: muito...

moça 2: você pode arranjar um namorado chinês...

moça 1: é uma ideia, né... Mas tem que ser um namorado só para segurar a mão e conversar. Nada mais

Eu não sei o que as moças ocidentais têm contra namorar chineses, mas tenho uns palpites... Toda vez que algum chinês se mostra interessado em me "conhecer melhor" é a mesma coisa: "Oi, quero ser seu amigo. Qual o seu celular?" ou os mais ousados: "Você é bonita. Quer sair comigo?" Isso em lugares como o metrô e no meio da rua! Não é assim, né, gente!

Mas a melhor cantada que me contaram aconteceu com outra gringa enquanto ela tava no supermercado. O chinês apontou para ela e disse: "You, me, drinks!". Mais direto impossível!



Escrito por Lúcia Anderson às 11h23
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我的母校

Depois de uma saga de quase 40h (desde a hora que saí de Campinas até o momento que eu cheguei na universidade), sendo 24 horas somente dentro do avião, depois de ver 8 filmes (sim!), jantar no horário do café da manhã e almoçar no horário do jantar... cheguei de volta a Beijing!

Ufa! As férias renderam... viagem para Juqueí, Rio de Janeiro e Buenos Aires. Estágio em São Paulo, encontro de leitores também na capital paulista, almoços, cafés da tarde e jantares com mais uma dezena de pessoas e por aí vai. Esses dois meses voaram! Nem parece que fiquei tanto tempo assim no Brasil. Mas estou feliz de estar de volta. A temperatura em Beijing está simplesmente perfeita, todos os dias fazendo de 10 a 20 graus com um solzinho gostoso. Só o ar que continua absurdamente sujo. Mas deixa para lá.

Já faz alguns dias que eu cheguei e, mesmo com o fuso ainda meio atrapalhado, comecei a escrever a dissertação. Tô preocupada. Vou ter poucas semanas para fazer o trabalho final. Em chinês. Mas acho que está ficando bem legal. Tenho que escrever entre 15 e 20 mil caracteres e até agora tenho pouco mais de 3 mil. Nos últimos dias estudei das 7h da manhã (sim!) até tarde da noite. Vai valer a pena!

E, claro, desde o momento que cheguei... não saí da universidade! E este post é justamente sobre isso: a minha 母校. É dessa forma "muxiao" que os chineses se referem à escola ou universidade em que estudaram. Essa palavra é a combinação do caractere "母" (mu = mãe) com o caractere "校" (xiao = escola), algo como "escola-mãe". E é isso mesmo que eu sinto sobre a minha universidade: um lugar que me abriga e me dá proteção, que oferece tudo que eu preciso.

Supermercado, restaurantes, cafés para estudar, pista de corrida, bastante verde, livraria, floricultura e até cabeleireiro estão a poucos passos. Em menos de 15 minutos consigo ir de norte a sul ou de leste a oeste. Dentro do campus, moram todos os alunos, professores atuais e aposentados, assim como seus filhos. Aqui dentro também tem um jardim de infância que fica pertinho do meu dormitório. Sempre que dá passo em frente para ver os bebês chineses lindinhos e gordinhos.

A Universidade de Comunicação da China oferece diversos cursos, mas é muito conhecida pelos cursos de língua e jornalismo. Quase todos os apresentadores da CCTV (a televisão estatal da China - a "Globo" daqui) se formaram na minha uni.

Ai, ai... o mestrado logo acaba e eu vou sentir muita falta da minha muxiao...



Escrito por Lúcia Anderson às 09h20
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Dissertação de mestrado - Slogans

Bom, vamos lá:

Pessoal, preciso da ajuda de todos vocês com a minha dissertação de mestrado. Vou escrever sobre slogans, mais especificamente sobre campanhas governamentais, sanitárias e educacionais no Brasil e na China.

Na China e no Brasil há campanhas para fazer propaganda do governo, melhorar a higiene da população, combater o fumo, a violência doméstica e por aí vai... Quero comparar como são feitas essas campanhas nos dois países.

Gostaria que vocês me ajudassem fotografando frases, slogans ou campanhas interessantes que eu pudesse utilizar no meu trabalho.

Abaixo coloco alguns exemplos:

Campanha contra violência doméstica

Engraçadinho, né! Na China não tem nada igual

Campanha contra exploração sexual

 

Agora as campanhas chinesas...

Tradução feita por mim.

"Cortesia: entre no metrô com educação. Ajude mutuamente a ter educação" (algo assim)

"Mutuamente ajude os vizinhos. Mutuamente respeite e ame sua família"

"(ter) menino é bom. (Ter) menina é bom" (contra o aborto de meninas)

"Dê lugar à educação. Faça fila para entrar no trem"



Escrito por Lúcia Anderson às 00h12
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Insônia, o português, Buenos Aires e meu hermano

"Afff... que título nada a ver!", pensou o leitor assíduo do blog. Calma, calma, já explico tu-do!

Insônia

Incrível como meu corpo é sensível ao estresse e à ansiedade. Tô nervosa com alguma coisa? Ansiosa? Não tem outra: falta de sono na certa, enjoo, dor de cabeça e por aí vai... E aqui estou eu, às 2h da manhã (do Brasil) ainda acordada. Deeeerrr!

O português

Mesmo depois de quase dois meses de férias no Brasil (aaafff!) meu português está horrível! Peço desculpas antecipadamente por algum errinho que possa aparecer (sem querer) por aqui. Prestando muita atenção para não escrever (e nem falar) coisinhas erradas.

Buenos Aires

Aproveitei esses últimos dias de América Latina para dar uma passeadinha em Buenos Aires com meu hermano. A capital argentina continua linda, mas achei tudo caríssimo! Ah! E em todos os restaurantes que eu fui erraram a soma da conta. Para mais, lógico! Humpft!

Eu e hermano no zoo

Quantas curvas!

Nós em frente ao Obelisco



Escrito por Lúcia Anderson às 01h56
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Arrepios & cia

Arrepios, frio na barriga, mãos suando e insônia...

Não, não estou apaixonada. Quem me dera! Todo esse nervosismo é por causa da dissertação de mestrado. Chegamos na reta final: escrever o tão temido lunwen. Agora não tem escapatória. Depois de parar de trabalhar, de um ano e meio de estudo puxado, aulas e mais aulas particulares e estresse sem fim... impossível desistir agora. Nada vai me deter!!! NADA! NA-DA! E nem ninguém! Vou até o fim!!! (isso é para entrar na minha cabeça de vez).

É isso, pessoal, nos próximos 2 ou 3 meses vou estar totalmente, completamente, absolutamente envolvida em escrever o trabalho final que vai me dar o título de mestre (já imaginaram que chique!) e, por isso, mais uma vez... vou diminuir o ritmo dos posts. Continuo escrevendo sempre que surgir alguma coisa interessante, mas sem o compromisso de escrever todos os dias (faz tempo que essa fase passou, né!) ou todas as semanas.

Tenho algumas viagensinhas marcadas (por enquanto só na minha cabeça) como recompensa para mim mesma conforme eu vá "matando os leões" dessa última fase. Mas ainda não está nada certo.

Ah! No próximo post vou explicar direitonho sobre a minha dissertação (não lembro se já falei) e vou precisar da ajuda de vocês (do Brasil inteiro) para coletar material. Acho que vocês podem me ajudar a escrever um trabalho bem legal.

Logo eu volto para a China e aí o trabalho duro começa de vez. Torçam por mim!

加油,露露!!!



Escrito por Lúcia Anderson às 23h19
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Lu na China em Sampa* - Fotos

* título "roubado" de André Luiz (namorido da Cris Nakahata)

Bom, pessoal, vocês já sabem que o nosso encontro em SP foi um sucesso: conversa de primeira (como disse a Regi), saqueirinhas deliciosas de morango, muita gente legal e bonita, muitas ideias e experiências trocadas sobre a China, ótimas dicas de viajantes profissionais (nã0, não... eu ainda estou aprendendo!). Queria que a noite de ontem tivesse durado mais. Passou tudo muito rápido! Mas fiquei superfeliz de reencontrar e conhecer leitores tão queridos.

Agora, chega de papo e vamos às fotos!

A mesa tava cheia e teve uma rotatividade absurda: saia um e entravam mais dois!

As duas lindas do meu coração: Nati (superfamosa!) e Regi

Fábio, Bruna, eu, André e Cris

Inessa, marido, Daniel, Lília e Giulia

Marcelo e Ane: fiquei muito feliz de vocês terem ido!

O papo tava animado com o Felipe e o Thiago

Paulo e Lu viajaram só para ir ao encontro

Afff... que moças lindas! Fer e Nati

Teve sorteio de presentinhos chineses e tudo! A Nati tirou o nome do...

... supercasal Alice e Thiago

O papo tava animado e foi até a madrugada



Escrito por Lúcia Anderson às 16h01
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Superultramegaencontro de leitores

OBRIGADA!!! É isso que eu tenho para dizer para você, leitor querido, que tolerou o meu atraso de mais de 1h30 com bom humor e educação (Regi, Inessa e marido, Marcelo e Ane); que me deu mais um presente lindo (né, Regi!); que se virou para ir no encontro mesmo sem ter condução (Fábio); que saiu correndo do trabalho para conhecer outros leitores queridos como você (Daniel, Lília e Alice); que viajou mais de 100 km para me conhecer (Paulo e Lu); que mesmo dando plantão e trabalhando 987876 horas por dia conseguiu um espacinho para ir ao bar (Fernanda e Renan); que mesmo com outros compromissos atravessou a cidade e foi me dar um beijinho e ouvir minhas histórias da China (Felipe); que mesmo com o trânsito absurdo de SP e com a casinha nova para curtir foi lá (Cris e André); que mesmo com 877865 coisas para resolver saiu de outra cidade só para conhecer outros leitores (Tu); que encurtou uma viagem só para não perder o nosso encontro (Bruna); que prometeu ir mesmo chegando atrasadinha (Nati). E para você que eu não citei aqui, mas que também foi... muito obrigada por ter feito desse encontro um momento inesquecível na minha "carreira do blog".

Fiquei muito feliz de ter reencontrado alguns leitores que eu gosto tanto e ter conhecido tantos outros. Acho que mais de 30 pessoas passaram pelo bar Eu Tu Eles. Adorei, adorei! Estou sem voz de tanto falar e dar risada. Amanhã... fotos!

Beijings e boa noite!



Escrito por Lúcia Anderson às 03h04
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Encontro no Eu Tu Eles - sexta às 18h

Pessoal,

por 1 voto a 0 (aê, Regi!) nosso encontro será no bar Eu Tu Eles! Será uma ótima oportunidade para vocês conhecerem outros leitores, para conversarmos sobre coisas que não vão para o blog e colocarmos o papo em dia. 

Fiquem à vontade para convidar quem vocês quiserem, mas só me avisem com quantas pessoas vocês vão para eu poder reservar a mesa.

Onde?  Bar Eu Tu Eles, na Av. Brigadeiro Faria Lima, 2920

Site? http://eutuelesbar.com.br/

Quando?  sexta, dia 9 de março

Horário?  18h (mas se só der para você ir depois das 20 ou 21h... apareça! Eu vou estar lá!)

Por quê?  para conhecer gente legal, me conhecer (!), conversar sobre a China...



Escrito por Lúcia Anderson às 09h07
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Encontro - dia

Está marcado! Por maioria absoluta, o nosso encontro será dia 9 de março, sexta-feira.

Agora... precisamos definir o lugar! O nosso último encontro foi no Café Santo Grão, na Rua Oscar Freire, 413. Foi tudo muito legal, mas lá é um pouquinho caro...

Outro dia eu fui em um bar bem legal chamado Eu, tu, eles, que fica na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2902. O lugar é bem charmoso e tem comandas individuais. Essas são as minhas duas sugestões. Se alguém tiver outra ideia pode escrever aqui.

Ah! Uma leitora perguntou se esse encontro é aberto para todo mundo. Claro que sim! Todos estão convidados a ir e levar quem quiser. Quanto mais gente, melhor!



Escrito por Lúcia Anderson às 10h33
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Meu perfil
Lúcia A., formada em Letras, especialista em Comunicação e escritora!

Foi trabalhar em Beijing, na China, e não sabe quando (e se!) volta ao Brasil. Escreve sobre suas descobertas, aventuras e outras coisinhas mais neste espaço.

e-mail: lunachina@uol.com.br

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